quinta-feira, 30 de março de 2017

Poesia de escutar

Iniciativa de Cris Ventura de gravar leituras de poemas aqui no Soundcloud. Estou lá, com um poema de Viagem a um deserto interior.

sábado, 11 de março de 2017

No lodo nasce o lótus


(The Yogis of Tibet, Jeffrey M. Pill)

sexta-feira, 3 de março de 2017

"Na chuva de confetes deixo a minha dor"




("Mulher do fim do mundo", de Romulo Fróes e Alice Coutinho, pela mulher do fim do mundo, Elza Soares)

A letra da canção foi, segundo os autores, inspirada por este poema de Murilo Mendes, que, por sua vez, me remete ao de Dylan Thomas, "Amor no hospício":


METADE PÁSSARO


A mulher do fim do mundo
Dá de comer às roseiras,
Dá de beber às estátuas,
Dá de sonhar aos poetas.


A mulher do fim do mundo
Chama a luz com assobio,
Faz a virgem virar pedra,
Cura a tempestade,
Desvia o curso dos sonhos,
Escreve cartas aos rios,
Me puxa do sono eterno
Para os seus braços que cantam.

(Murilo Mendes)

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

O invasor americano



(Michael Moore, Where to invade next)

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Jornal da comunidade japonesa

No Jornal Nippak, que meu avô, japonês, costumava ler:


terça-feira, 24 de janeiro de 2017

tranSPassar: poética do movimento pelas ruas de São Paulo


Antologia organizada por Carlos Felipe Moisés e Victor Franco, que teve por inspiração os versos de Mário de Andrade: “Ruas do meu São Paulo, / Onde está o amor vivo, / Onde está?” A essa pergunta, tentei responder com três poemas e um depoimento sobre a cidade.

Participam:
Álvaro Alves de Faria
Carlos Felipe Moisés
Carlos Machado
Elisa Andrade Buzzo
Fernando Paixão
Glauco Mattoso
Leila Guenther
Luiz Roberto Guedes
Paulo Bonfim
Paulo César Carvalho
Renata Pallottini
Reynaldo Damazio
Rodolfo Witzig Guttilla
Ronaldo Cagiano
Rubens Jardim
Tarso de Melo
Victor del Franco

O lançamento, no dia do aniversário de 463 anos de São Paulo, trará leitura de poemas e faz parte do evento Sampoemas, que conta também com a exibição do filme São Paulo, simphonia da metrópole (1929), com trilha musical executada ao vivo por Livio Tragtenberg.


quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Faz frio demais quando estamos sozinhos

Meus textos nesta edição da revista que me publicou pela primeira vez, há mais de dez anos, a Germina - Revista de Literatura & Arte. Está lá o ainda inédito em livro “Poeminha criacionista”, escrito "à chilena".






quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Auf Dem Weg zum Schwan

Meu conto "No caminho do cisne" na antologia de autores brasileiros traduzidos para o alemão, a Grenzenlos, que significa "sem limites", "sem fronteiras".



quarta-feira, 30 de novembro de 2016

domingo, 27 de novembro de 2016

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

"God has a voice, she speaks through me"


 (CocoRosie, Live in Théâtre des Bouffes-du-Nord)

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Dois poemas de Ruy Proença

AOS QUE TORTURAMOS NOSSA MÃE

eu queria ser outra
queria ter nascido
em outro lugar
queria viver
onde não houvesse
sofrimento
onde todos me olhassem
através de olhos claros
onde as mãos
fossem quentes
e me procurassem
queria não ver mais
em meu espelho
a desconfiança o terror
queria ouvir
outra língua
que não tivesse
as palavras
agora ouvidas
sons que me ferem
e me fazem fugir
queria outros tetos
para me abrigar
outras árvores
para me dar sombra
queria outro céu
mais próximo
outras águas
que me embalassem




CASA E BULLDOZER NA FAIXA DE GAZA

casa:
abrigo
onde circulo
lambendo sonhos
desarmado
– meu repouso;
quarteto de cordas em caramujo
onde sou fome e pão
ainda que me destempere
onde me reconheço nas manchas
de sangue café vômito sexo memória
onde estão meus avós ausentes
minha mãe ausente
meu pai irmãos amigos
eu a mulher os filhos
a ideia mesma de amor
tudo o que se dispersa
com a fumaça do cachimbo
meus objetos obesos
minhas quinquilharias
canetas chapéus selos pedras
meus livros meus papéis meus tijolos
minhas âncoras
meu cão ausente

bulldozer:



(Ruy Proença, Caçambas. São Paulo, Editora 34, 2015)




quinta-feira, 3 de novembro de 2016

58o Jabuti


Viagem a um deserto interior, meu livro de poemas e haicais, está entre os finalistas do Prêmio Jabuti 2016, na categoria Poesia: 


Acerto de Contas – Autor: Thiago de Mello – Editora: Global

Agora Aqui Ninguém Precisa de Si – Autor: Arnaldo Antunes – Editora: Companhia das Letras

Antologia da Poesia Erótica Brasileira – Autor: Eliane Robert Moraes (organização) – Editora: Ateliê Editorial

As Rugosidades do Caos – Autor: Luis Dolhnikoff – Editora: Quatro Cantos

Da Lua Não Vejo a Minha Casa – Autor: Leonardo Aldrovandi – Editora: V. de Moura Mendonça Livros (Selo: Demônio Negro)

Manual de Flutuação para Amadores – Autor: Marcos Siscar – Editora: 7Letras

Ópera de Nãos – Autor: Salgado Maranhão – Editora: 7Letras

Pig Brother – Autor: Ademir Assunção – Editora: Editora Patuá

Sermões – Autor: Nuno Ramos – Editora: Iluminuras

Treme Ainda – Autor: Fabio Weintraub – Editora: Editora 34

Tróiades – Remix Para o Próximo Milênio – Autor: Guilherme Gontijo Flores – Editora: Editora Patuá

Versos Pornográficos – Autor: Chico César – Editora: Confraria do Vento

Vertigens – Autor: Wilson Alves Bezerra – Editora: Iluminuras

Viagem a um Deserto Interior – Autor: Leila Guenther – Editora: Ateliê Editorial

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

De pedra e areia

Ao conhecer Leila Guenther, inevitável pensar em sua herança oriental. Apesar do sobrenome do pai alemão, Leila tem ascendência japonesa por parte de mãe. E aí vêm os estereótipos sobre quem tem uma outra etnia e é mulher, no Brasil. Pensa-se primeiro na etnia e a seguir no gênero para tentar definira que grupo o autor pertence. Mas a poesia de Leila foge dos estereótipos, deixando-se tocar de leve pelo charme de pertencer a uma etnia milenar e ser feminina.
Viagem a um Deserto Interior é dividido em cinco partes: Paisagens de DentroO Deserto AlheioCastelo de AreiaUm Jardim de Pedra e A Possibilidade do Oásis. Cada parte está relacionada com um tema contemporâneo: solidão, o Outro, o estranhamento do cotidiano, o zen-budismo e amor. A autora publicou um primeiro livro, de ficção  O Voo Noturno das Galinhas pela Ateliê Editorial, que acaba de ser lançado em uma edição portuguesa.  O livro foi um dos 17 contemplados pelo Prêmio Petrobrás Cultural de 2012.

De acordo com o poeta e crítico Alcides Villaça, Viagem a um deserto interior contém “um espanto de vida a um tempo estoico e dilacerado, ressurgido de incêndios, vingando um calar histórico. Urro e desprezo podem acalantar a criatura ofendida, as inquietudes podem se abrigar numa forma zen, a paisagem contemplada pode guardar uma guerra dentro.” O deserto explicita a metáfora do esforço zen-budista, visto no jardim seco zen-budista. A mente é como o jardim e das pedras e areias pode surgir um mundo mais profundo. As angústias não deixem de ser belas, porque constituem a beleza da paisagem humana. Dominadas, nada resta a não ser contemplá-las, em doce abandono.

Leila Guenther é formada em Letras pela Universidade de São Paulo e autora do livro de contos O Vôo Noturno das Galinhas (Ateliê Editorial), traduzido para o espanhol (Borrador Editores) e em Portugal.  Este lado para cima,(Sereia Ca(n)tadora, Revista Babel). Participou de  antologias de contos e poesia.  Para os palcos de Robert Wilson, adaptou a peça A dama do mar, de Susan Sontag (N-1 Publications), baseada em Ibsen, e traduziu A velha, adaptação de Darryl Pinckney para uma novela de Daniil Kharms.




CIMENTO
Todas as fotos sumiram.
Seu rosto se desfez
como um muro aos poucos encoberto pelo musgo,
um muro cada vez mais rabiscado,
que vai perdendo a pintura,
até desabar com os anos de chuva e descuido
e deixar entrever a casa abandonada.

Uma foto apenas
- quase derruída -
reside em algum lugar de mim
tornado árido e áspero.
Um instantâneo
onde seu rosto se debruçava
sobre o meu
enquanto desaparecíamos.

Penso se o cachorro,
aquele cão que se perdeu na mudança,
hoje também se lembraria de seu rosto futuro.

domingo, 17 de julho de 2016

O sexo dos peixes

O livro 69: Antología de Microrrelatos Eróticos (Ediciones Altazor) será lançado no dia 23 de julho de 2016 na Feira Internacional do Livro de Lima, no Peru, às 17h, na Sala Clorinda Matto de Turner. Participo dele com um conto traduzido para o espanhol sobre a vida sexual dos peixes lophiiformes.



domingo, 26 de junho de 2016

A viagem do redescobrimento

Atacama. O nada aqui se reflete em intermináveis quilômetros de sal, pedra e areia. O céu, como descreveu Paul Bowles a respeito de um certo deserto e como imagino ser o céu de todos eles, é quase sólido, e também espelha o vazio. O deserto engole tudo, transforma tudo em sua própria imagem. Assimilou os restos de animais marinhos e os ossos dos prisioneiros políticos que as mães teimam em procurar, num minucioso trabalho arqueológico. Aqui, no lugar mais seco do mundo, nós, vivos, também nos convertemos maravilhosamente em matéria mineral. Em terra, em pó, em cinza, em nada.


sexta-feira, 17 de junho de 2016

Do deserto



(Carlos Augusto Lima, Motociclista do globo da morte. 1973 edições)

Do baralho




(Roberto Amaral, 54 [+ uma] mulheres do baralho. Vitória, Cousa, 2015)

quinta-feira, 19 de maio de 2016

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Leitura para tempos sombrios

 

A partir de diferentes recursos como notícias de jornal, monólogos, imagens e notas de rodapé que abrangem o período de 1973 a 2015, Luz Sciolla (Chile) integra, em Retratos Hablados, realidade e ficção na composição de uma obra polifônica - sobre o abuso de poder - a cuja totalidade só se chega paradoxalmente por meio da fragmentação.