segunda-feira, 24 de julho de 2017

Homenagem a Claudio Willer


A VERDADEIRA HISTÓRIA DO SÉCULO 20
contemplação: estrela no fundo do mar
você: véu de gaze azulada roçando, suave apelo
furacão: róseo
perfeição: parábola de perfumes
lâmina: a mente alucinada
gruta: você e os arcanos da natureza
matemática do sonho: esta nuvem
gelo: explosão de relâmpagos
essa solidez, essa presença: capim ao vento
rápidos, passando à frente: lavanda
e também sombra de árvore
montanha: inteiramente nossa
intimidade sorridente: no calor da tarde
Íris: o nome da flor, o seio ao sol

– quanta coisa você fez que eu visse

o acaso nos transportava e poderíamos ir a qualquer lugar
o mundo tinha janelas abertas
e tudo era primeira vez

gnose do redemoinho, foi o que soubemos

(Claudio Willer)

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Estilo

Estilo é a resposta de tudo.
Uma maneira nova de enfrentar uma coisa chata ou perigosa.
Fazer uma coisa chata com estilo é melhor do que fazer uma coisa perigosa sem ele.
Fazer uma coisa perigosa com estilo é o que eu chamo de arte.

Touradas podem ser uma arte.
O pugilismo pode ser uma arte.
Amar pode ser uma arte.
Abrir uma lata de sardinha pode ser uma arte.

Não são muitos os que têm estilo.
Não são muitos os que conseguem mantê-lo.
Já vi cães com mais estilo do que homens,
embora não muitos cães tenham estilo.
Gatos têm de sobra.

Quando Hemingway estourou os miolos com uma espingarda, isso foi estilo.
Ou às vezes algumas pessoas oferecem estilo.

Joana D’Arc tinha estilo.
João Batista.
Cristo.
Sócrates.
César.
García Lorca.

Conheci homens com estilo na cadeia.
Conheci mais homens com estilo na cadeia do que fora dela.
Estilo é a diferença, um modo de fazer e de ser feito.
Seis garças paradas numa poça d’água
ou você, saindo do banheiro sem roupa e sem me ver.

(Charles Bukowski, tradução minha)