Estou convencido de que uma palmeira jamais se
curva,
e de que nem suas tâmaras apodrecem.
Imagino o céu ocupado apenas por pássaros
e nuvens carregadas.
Ando sozinho ao longo da praia e nunca tenho medo
de que as ondas frias e silenciosas me molhem.
Se me encontrar adormecido, tenha certeza de que ou
estou
sonhando com rosas e pombas ou olhando dentro do
vazio
abaixo de mim.
Vestirei meu terno rosado e andarei até o porto,
embora eu saiba que nenhum navio vá aparecer.
Minha esperança é de que você venha voando para mim
com suas incansáveis asas.
Para construir uma casa na praia para nós,
recolherei conchas e seixos até você chegar.
Não sei quantas casas terei erguido
antes de sua vinda.
Receio que eu vá reconstruir Gaza inteira até lá.
(Mosab Abu Toha, poeta palestino detido pelas tropas israelenses em 2023, em tradução minha. Ele acaba de ganhar o prêmio Pulitzer pelos ensaios sobre o genocídio palestino publicados em The New Yorker. O poema foi tirado do livro Things you may find hidden in my ear)
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