segunda-feira, 25 de outubro de 2010
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Otras voces
Saiu aqui uma entrevista que dei ao escritor peruano Juan Valle a propósito da tradução de O vôo noturno das galinhas para o espanhol. O lançamento será no dia 4 de novembro, na II Feria Itinerante del Libro CAELIT UNFV 2010, promovida pela Universidad Nacional Federico Villarreal, Lima, Peru. Armando Alzamora, o tradutor do livro, fez a gentileza de verter as respostas para a língua de Garcilaso.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Li Po

DIANTE DO VINHO
Amigo, crê-me, não afastes essa taça!
O vento de primavera chega todo sorridente.
Pessegueiros e ameixeiras, tão velhos conhecidos,
Inclinam suas flores e as entreabrem para nós.
Os verdelhões alegres cantam nas árvores verdes;
A lua brilhante observa nossas taças de ouro.
Ontem éramos jovens de pele rosada;
E eis que agora os cabelos brancos nos envelhecem.
A selva invade o palácio do rei de Tchao;
Os cervos atravessam o terraço de Kou-sou.
Nesses velhos palácios de imperadores e príncipes,
Os portões guardam apenas a poeira!
Por que não aceitar essa bebida?
Onde estão agora os homens do passado?
SAUDAÇÃO SOLITÁRIA AO LUAR
Entre as flores um jarro de vinho:
Bebo sozinho, sem amigo algum.
Erguendo minha taça, convido o luar;
Eis minha sombra diante de mim: somos três.
A lua – que pena – não sabe beber;
E a sombra em vão me segue.
Companheiros de um instante, ó lua e sombra!
Nas brincadeiras alegres, festejemos a primavera!
Quando canto, a lua vagueia.
Quando danço, minha sombra, perdida, se deforma.
Já que ficaremos velhos, alegremo-nos juntos;
E, uma vez embriagados, que cada um regresse.
Que dure para sempre nossa ligação sem alma:
Nós nos reencontraremos pela Via-Láctea distante!
Amigo, crê-me, não afastes essa taça!
O vento de primavera chega todo sorridente.
Pessegueiros e ameixeiras, tão velhos conhecidos,
Inclinam suas flores e as entreabrem para nós.
Os verdelhões alegres cantam nas árvores verdes;
A lua brilhante observa nossas taças de ouro.
Ontem éramos jovens de pele rosada;
E eis que agora os cabelos brancos nos envelhecem.
A selva invade o palácio do rei de Tchao;
Os cervos atravessam o terraço de Kou-sou.
Nesses velhos palácios de imperadores e príncipes,
Os portões guardam apenas a poeira!
Por que não aceitar essa bebida?
Onde estão agora os homens do passado?
SAUDAÇÃO SOLITÁRIA AO LUAR
Entre as flores um jarro de vinho:
Bebo sozinho, sem amigo algum.
Erguendo minha taça, convido o luar;
Eis minha sombra diante de mim: somos três.
A lua – que pena – não sabe beber;
E a sombra em vão me segue.
Companheiros de um instante, ó lua e sombra!
Nas brincadeiras alegres, festejemos a primavera!
Quando canto, a lua vagueia.
Quando danço, minha sombra, perdida, se deforma.
Já que ficaremos velhos, alegremo-nos juntos;
E, uma vez embriagados, que cada um regresse.
Que dure para sempre nossa ligação sem alma:
Nós nos reencontraremos pela Via-Láctea distante!
(da Anthologie de la poésie chinoise classique. Trad. Leila Guenther)
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quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Antologia canina IV
O OLHO QUE VÊ
Os cães pequenos olham para os cães grandes;
Observam as intratáveis dimensões
E as curiosas imperfeições de odor.
Eis um grupo de machos compenetrados:
Os homens jovens olham de cima os mais velhos,
Consideram-lhes a mente de meia-idade
Observam-lhes as correlações inexplicáveis.
Tsin-Tsu disse:
Somente nos cães pequenos e nos jovens
Encontramos a observação minuciosa.
Os cães pequenos olham para os cães grandes;
Observam as intratáveis dimensões
E as curiosas imperfeições de odor.
Eis um grupo de machos compenetrados:
Os homens jovens olham de cima os mais velhos,
Consideram-lhes a mente de meia-idade
Observam-lhes as correlações inexplicáveis.
Tsin-Tsu disse:
Somente nos cães pequenos e nos jovens
Encontramos a observação minuciosa.
(Ezra Pound, trad. Mário Faustino)
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segunda-feira, 4 de outubro de 2010
A esposa do mercador do rio: uma carta
Quando
ainda usava franja no cabelo,
Eu
brincava perto do portão principal, colhendo flores,
Você
vinha sobre pernas de pau, brincando de cavalo,
Andava
ao meu redor, brincando com ameixas azuis.
E assim
vivíamos na aldeia de Chokan:
Duas
crianças, sem desgosto nem malícia.
Aos
quatorze anos o desposei, meu senhor.
Por
timidez, nunca ria.
De
cabeça baixa, olhava para o muro.
E, mesmo
chamada mil vezes, nunca olhava para trás.
Aos
quinze parei de resistir,
Desejei
que minhas cinzas se misturassem às suas
Para
sempre e para todo o sempre.
Para que
eu deveria subir até o mirante?
Aos
dezesseis você partiu.
Foi para
além de Ku-to-yen, pelo rio sinuoso,
E faz
cinco meses que está ausente.
Lá no
alto os macacos fazem um triste barulho.
Você
arrastava os pés quando foi embora.
Perto do
portão, agora, o musgo cresce; diversos tipos de musgo,
Enraizados
demais para serem arrancados!
As
folhas caem cedo neste outono, com o vento.
As
borboletas, aos pares, já amarelecem, neste agosto,
Sobre as
ervas do jardim do poente;
Elas me
ferem. Estou envelhecendo.
Se
estiver descendo pelos estreitos do rio Kiang,
Avise-me
logo, por favor,
E eu
irei, para encontrá-lo, Até as
alturas de Cho-fu-Sa.
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