"(...) y yo te siento temblar contra mí como una luna en el agua." (Julio Cortázar, Rayuela)
segunda-feira, 25 de março de 2013
sábado, 16 de março de 2013
quarta-feira, 13 de março de 2013
A outra máquina do mundo
Se
quando contemplamos as secretas
causas, por que o mundo se sustenta,
o revolver dos céus e dos planetas;
e se quando a memória se apresenta
este curso do sol, que é tão medido
que um ponto só não mingua nem se aumenta;
aquele efeito, tarde conhecido,
da lüa, em ser mudável tão constante
que minguar e crecer é seu partido;
aquela natureza tão possante
dos céus, que tão conformes e contrários
caminham, sem parar um breve instante;
aqueles movimentos ordinários,
a que responde o tempo, que não mente,
cos efeitos da terra necessários;
se quando, enfim, revolve sutilmente
tantas cousas a leve fantasia,
sagaz, escrutadora e diligente;
vê bem, se da razão só não desvia,
o altíssimo Ser, puro e divino,
que tudo pode, manda, move e cria;
sem fim e sem começo, um ser contino;
um Padre grande, a quem tudo é possível,
por mais árduo que seja ao homem indino;
um saber infinito, incompreensível;
üa verdade que nas cousas anda,
que mora no visível e invisível.
Esta potência, enfim, que tudo manda,
esta causa das causas, revestida
foi desta nossa carne miseranda.
Do amor e da justiça compelida,
polos erros da gente, em mãos da gente
– como se Deus não fosse – perde a vida.
o cristão descuidado e negligente,
pondera isto que digo, repousado;
não passes por aqui tão levemente.
Não, que aquele Deus alto incriado,
Senhor das cousas todas, que fundou
o céu, a terra, o fogo e o mar irado,
não do confuso caos, como cuidou
a falsa teologia e povo escuro,
que nesta só verdade tanto errou;
não dos átomos falsos de Epicuro;
não do largo oceano, como Tales,
mas só do pensamento casto e puro.
Olha, animal humano, quanto vales,
que por ti este grande Deus padece
novo modo de morte, novos males.
Olha que o sol no Olimpo se escurece,
não por oposição doutro planeta,
mas só porque virtude lhe falece.
Não vês que a grande máquina inquieta
do mundo se desfaz toda em tristeza,
e não por natural causa secreta?
Não vês como se perde a natureza;
o ar se turba; o mar, batendo, geme,
desfazendo das pedras a dureza?
causas, por que o mundo se sustenta,
o revolver dos céus e dos planetas;
e se quando a memória se apresenta
este curso do sol, que é tão medido
que um ponto só não mingua nem se aumenta;
aquele efeito, tarde conhecido,
da lüa, em ser mudável tão constante
que minguar e crecer é seu partido;
aquela natureza tão possante
dos céus, que tão conformes e contrários
caminham, sem parar um breve instante;
aqueles movimentos ordinários,
a que responde o tempo, que não mente,
cos efeitos da terra necessários;
se quando, enfim, revolve sutilmente
tantas cousas a leve fantasia,
sagaz, escrutadora e diligente;
vê bem, se da razão só não desvia,
o altíssimo Ser, puro e divino,
que tudo pode, manda, move e cria;
sem fim e sem começo, um ser contino;
um Padre grande, a quem tudo é possível,
por mais árduo que seja ao homem indino;
um saber infinito, incompreensível;
üa verdade que nas cousas anda,
que mora no visível e invisível.
Esta potência, enfim, que tudo manda,
esta causa das causas, revestida
foi desta nossa carne miseranda.
Do amor e da justiça compelida,
polos erros da gente, em mãos da gente
– como se Deus não fosse – perde a vida.
o cristão descuidado e negligente,
pondera isto que digo, repousado;
não passes por aqui tão levemente.
Não, que aquele Deus alto incriado,
Senhor das cousas todas, que fundou
o céu, a terra, o fogo e o mar irado,
não do confuso caos, como cuidou
a falsa teologia e povo escuro,
que nesta só verdade tanto errou;
não dos átomos falsos de Epicuro;
não do largo oceano, como Tales,
mas só do pensamento casto e puro.
Olha, animal humano, quanto vales,
que por ti este grande Deus padece
novo modo de morte, novos males.
Olha que o sol no Olimpo se escurece,
não por oposição doutro planeta,
mas só porque virtude lhe falece.
Não vês que a grande máquina inquieta
do mundo se desfaz toda em tristeza,
e não por natural causa secreta?
Não vês como se perde a natureza;
o ar se turba; o mar, batendo, geme,
desfazendo das pedras a dureza?
(...)
(Camões,
“À paixão de Cristo, nosso senhor”)
A máquina do mundo
E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco
se misturasse ao som de meus sapatos
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas
lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,
a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia.
Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável
pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar
toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto do mistério, nos abismos.
Abriu-se em calma pura, e convidando
quantos sentidos e intuições restavam
a quem de os ter usado os já perdera
e nem desejaria recobrá-los,
se em vão e para sempre repetimos
os mesmos sem roteiro tristes périplos,
convidando-os a todos, em coorte,
a se aplicarem sobre o pasto inédito
da natureza mítica das coisas,
assim me disse, embora voz alguma
ou sopro ou eco ou simples percussão
atestasse que alguém, sobre a montanha,
a outro alguém, noturno e miserável,
em colóquio se estava dirigindo:
"O que procuraste em ti ou fora de
teu ser restrito e nunca se mostrou,
mesmo afetando dar-se ou se rendendo,
e a cada instante mais se retraindo,
olha, repara, ausculta: essa riqueza
sobrante a toda pérola, essa ciência
sublime e formidável, mas hermética,
essa total explicação da vida,
esse nexo primeiro e singular,
que nem concebes mais, pois tão esquivo
se revelou ante a pesquisa ardente
em que te consumiste... vê, contempla,
abre teu peito para agasalhá-lo.”
As mais soberbas pontes e edifícios,
o que nas oficinas se elabora,
o que pensado foi e logo atinge
distância superior ao pensamento,
os recursos da terra dominados,
e as paixões e os impulsos e os tormentos
e tudo que define o ser terrestre
ou se prolonga até nos animais
e chega às plantas para se embeber
no sono rancoroso dos minérios,
dá volta ao mundo e torna a se engolfar,
na estranha ordem geométrica de tudo,
e o absurdo original e seus enigmas,
suas verdades altas mais que todos
monumentos erguidos à verdade:
e a memória dos deuses, e o solene
sentimento de morte, que floresce
no caule da existência mais gloriosa,
tudo se apresentou nesse relance
e me chamou para seu reino augusto,
afinal submetido à vista humana.
Mas, como eu relutasse em responder
a tal apelo assim maravilhoso,
pois a fé se abrandara, e mesmo o anseio,
a esperança mais mínima — esse anelo
de ver desvanecida a treva espessa
que entre os raios do sol inda se filtra;
como defuntas crenças convocadas
presto e fremente não se produzissem
a de novo tingir a neutra face
que vou pelos caminhos demonstrando,
e como se outro ser, não mais aquele
habitante de mim há tantos anos,
passasse a comandar minha vontade
que, já de si volúvel, se cerrava
semelhante a essas flores reticentes
em si mesmas abertas e fechadas;
como se um dom tardio já não fora
apetecível, antes despiciendo,
baixei os olhos, incurioso, lasso,
desdenhando colher a coisa oferta
que se abria gratuita a meu engenho.
A treva mais estrita já pousara
sobre a estrada de Minas, pedregosa,
e a máquina do mundo, repelida,
se foi miudamente recompondo,
enquanto eu, avaliando o que perdera,
seguia vagaroso, de mãos pensas.
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco
se misturasse ao som de meus sapatos
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas
lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,
a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia.
Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável
pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar
toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto do mistério, nos abismos.
Abriu-se em calma pura, e convidando
quantos sentidos e intuições restavam
a quem de os ter usado os já perdera
e nem desejaria recobrá-los,
se em vão e para sempre repetimos
os mesmos sem roteiro tristes périplos,
convidando-os a todos, em coorte,
a se aplicarem sobre o pasto inédito
da natureza mítica das coisas,
assim me disse, embora voz alguma
ou sopro ou eco ou simples percussão
atestasse que alguém, sobre a montanha,
a outro alguém, noturno e miserável,
em colóquio se estava dirigindo:
"O que procuraste em ti ou fora de
teu ser restrito e nunca se mostrou,
mesmo afetando dar-se ou se rendendo,
e a cada instante mais se retraindo,
olha, repara, ausculta: essa riqueza
sobrante a toda pérola, essa ciência
sublime e formidável, mas hermética,
essa total explicação da vida,
esse nexo primeiro e singular,
que nem concebes mais, pois tão esquivo
se revelou ante a pesquisa ardente
em que te consumiste... vê, contempla,
abre teu peito para agasalhá-lo.”
As mais soberbas pontes e edifícios,
o que nas oficinas se elabora,
o que pensado foi e logo atinge
distância superior ao pensamento,
os recursos da terra dominados,
e as paixões e os impulsos e os tormentos
e tudo que define o ser terrestre
ou se prolonga até nos animais
e chega às plantas para se embeber
no sono rancoroso dos minérios,
dá volta ao mundo e torna a se engolfar,
na estranha ordem geométrica de tudo,
e o absurdo original e seus enigmas,
suas verdades altas mais que todos
monumentos erguidos à verdade:
e a memória dos deuses, e o solene
sentimento de morte, que floresce
no caule da existência mais gloriosa,
tudo se apresentou nesse relance
e me chamou para seu reino augusto,
afinal submetido à vista humana.
Mas, como eu relutasse em responder
a tal apelo assim maravilhoso,
pois a fé se abrandara, e mesmo o anseio,
a esperança mais mínima — esse anelo
de ver desvanecida a treva espessa
que entre os raios do sol inda se filtra;
como defuntas crenças convocadas
presto e fremente não se produzissem
a de novo tingir a neutra face
que vou pelos caminhos demonstrando,
e como se outro ser, não mais aquele
habitante de mim há tantos anos,
passasse a comandar minha vontade
que, já de si volúvel, se cerrava
semelhante a essas flores reticentes
em si mesmas abertas e fechadas;
como se um dom tardio já não fora
apetecível, antes despiciendo,
baixei os olhos, incurioso, lasso,
desdenhando colher a coisa oferta
que se abria gratuita a meu engenho.
A treva mais estrita já pousara
sobre a estrada de Minas, pedregosa,
e a máquina do mundo, repelida,
se foi miudamente recompondo,
enquanto eu, avaliando o que perdera,
seguia vagaroso, de mãos pensas.
(Carlos Drummond de Andrade)
quarta-feira, 6 de março de 2013
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Na história de nosso amor
Na história de nosso amor, um foi sempre
Uma tribo nômade, outro uma nação em seu próprio solo.
Quando trocamos de lugar, tudo tinha acabado.
O tempo passará por nós, como paisagens
Passam por trás de atores parados em suas marcas
Quando se roda um filme.
As palavras
Passarão por nossos lábios, até as lágrimas
Passarão por nossos olhos.
O tempo passará
Por cada um em seu lugar.
E na geografia do resto de nossas vidas,
Quem será uma ilha e quem uma península
Ficará claro pra cada um de nós no resto de nossas vidas
Em noites de amor com outros.
Uma tribo nômade, outro uma nação em seu próprio solo.
Quando trocamos de lugar, tudo tinha acabado.
O tempo passará por nós, como paisagens
Passam por trás de atores parados em suas marcas
Quando se roda um filme.
As palavras
Passarão por nossos lábios, até as lágrimas
Passarão por nossos olhos.
O tempo passará
Por cada um em seu lugar.
E na geografia do resto de nossas vidas,
Quem será uma ilha e quem uma península
Ficará claro pra cada um de nós no resto de nossas vidas
Em noites de amor com outros.
(Yehuda Amichai, trad. de Millôr Fernandes)
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Chikara Tsuzuki
Canção de My blueberry nights (Um beijo roubado) e presente, em outra versão, em In the mood for love (Amor à flor da pele), ambos filmes de Wong Kar-Wai
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Penélope
Minha irmã foi noiva longamente
que hoje borda e fia na janela,
penélope de próprio labirinto.
Eu mesmo na janela não diviso
senão a vaga espera, em gesto aéreo,
tecida apenas do desejo aflito
com que bordo seu noivo nos atrasos.
Não cabem nossos olhos nesta sala
tão grande, de paredes recuadas;
pois que se cruzem, se amem, se maltratem
com entender de si seus tempos vários.
Apanho teu novelo descuidado,
componho-o de novo, ao revés;
alcança-o teu colo, no bordado
de onde partiu e chega, já sem cor.
Teu noivo, nessa espera, longamente
não vem; o que te posso responder
(como profeta que olha à ré do corpo)
é que já não virá, em seu destino
entregue à solidão dos esperados.
E nós, nosso retrato se colore
daquele azul das horas cumuladas
com que à distância vemos, no bordado,
fio e agulha em linho descansando.
Teu corpo no caminho da janela
eternamente indo, e eu ficando.
que hoje borda e fia na janela,
penélope de próprio labirinto.
Eu mesmo na janela não diviso
senão a vaga espera, em gesto aéreo,
tecida apenas do desejo aflito
com que bordo seu noivo nos atrasos.
Não cabem nossos olhos nesta sala
tão grande, de paredes recuadas;
pois que se cruzem, se amem, se maltratem
com entender de si seus tempos vários.
Apanho teu novelo descuidado,
componho-o de novo, ao revés;
alcança-o teu colo, no bordado
de onde partiu e chega, já sem cor.
Teu noivo, nessa espera, longamente
não vem; o que te posso responder
(como profeta que olha à ré do corpo)
é que já não virá, em seu destino
entregue à solidão dos esperados.
E nós, nosso retrato se colore
daquele azul das horas cumuladas
com que à distância vemos, no bordado,
fio e agulha em linho descansando.
Teu corpo no caminho da janela
eternamente indo, e eu ficando.
(Alcides Villaça, Viagem de Trem, Ed. Duas Cidades, São Paulo, 1988)
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
domingo, 20 de janeiro de 2013
Uma prece
If It Be Your Will
If it be your will
That I speak no more
And my voice be still
As it was before
I will speak no more
I shall abide until
I am spoken for
If it be your will
If it be your will
That a voice be true
From this broken hill
I will sing to you
From this broken hill
All your praises they shall ring
If it be your will
To let me sing
From this broken hill
All your praises they shall ring
If it be your will
To let me sing
If it be your will
If there is a choice
Let the rivers fill
Let the hills rejoice
Let your mercy spill
On all these burning hearts in hell
If it be your will
To make us well
And draw us near
And bind us tight
All your children here
In their rags of light
In our rags of light
All dressed to kill
And end this night
If it be your will
If it be your will.
That I speak no more
And my voice be still
As it was before
I will speak no more
I shall abide until
I am spoken for
If it be your will
If it be your will
That a voice be true
From this broken hill
I will sing to you
From this broken hill
All your praises they shall ring
If it be your will
To let me sing
From this broken hill
All your praises they shall ring
If it be your will
To let me sing
If it be your will
If there is a choice
Let the rivers fill
Let the hills rejoice
Let your mercy spill
On all these burning hearts in hell
If it be your will
To make us well
And draw us near
And bind us tight
All your children here
In their rags of light
In our rags of light
All dressed to kill
And end this night
If it be your will
If it be your will.
(Leonard Cohen)
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
Na terrinha, Santa Catarina
"Avalanche" saiu na seção “Contos quentes” da Revista de Verão, publicação encartada nos jornais do Grupo RBS, (Diário Catarinense, Santa, A Notícia e Zero Hora)
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
sábado, 22 de dezembro de 2012
"Ready to start"
Businessmen drink my blood
Like the kids in art school said they would
And I guess I'll just begin again
You say can we still be friends
Like the kids in art school said they would
And I guess I'll just begin again
You say can we still be friends
If I was scared, I would
And if I was bored, you know I would
And if I was yours, but I'm not
And if I was bored, you know I would
And if I was yours, but I'm not
All the kids have always known
That the emperor wears no clothes
But they bow down to him anyway
It's better than being alone
That the emperor wears no clothes
But they bow down to him anyway
It's better than being alone
If I was scared, I would
And if I was pure, you know I would
And if I was yours, but I'm not
And if I was pure, you know I would
And if I was yours, but I'm not
Now you're knocking at my door
Saying please come out with us tonight
But I would rather be alone
Than pretend I feel alright
Saying please come out with us tonight
But I would rather be alone
Than pretend I feel alright
If the businessmen drink my blood
Like the kids in art school said they would
Then I guess I'll just begin again
You say can we still be friends
Like the kids in art school said they would
Then I guess I'll just begin again
You say can we still be friends
If I was scared, I would
And if I was pure, you know I would
And if I was yours, but I'm not
And if I was pure, you know I would
And if I was yours, but I'm not
Now I'm ready to start
If I was scared, I would
And if I was pure, you know I would
And if I was yours, but I'm not
And if I was pure, you know I would
And if I was yours, but I'm not
Now I'm ready to start
Now I'm ready to start
I would rather be wrong
Than live in the shadows of your song
My mind is open wide
And now I'm ready to start
Now I'm ready to start
My mind is open wide
Now I'm ready to start
Not sure you'll open the door
To step out into the dark
Now I'm ready
My mind is open wide
Now I'm ready to start
Not sure you'll open the door
To step out into the dark
Now I'm ready
(Arcade Fire)
sábado, 24 de novembro de 2012
This must be the place
Home is where I want to be
Pick me up and turn me around
I feel numb, born with a weak heart
Guess I must be having fun
The less we say about it the better
Make it up as we go along
Feet on the ground, head in the sky
It's okay, I know nothing's wrong, nothing
I got plenty of time
You got light in your eyes
And you're standing here beside me
I love the passing of time
Never for money, always for love
Cover up and say goodnight, say goodnight
Home, is where I want to be
But I guess I'm already there
I come home, she lifted up her wings
I guess that this must be the place
I can't tell one from the other
I find you, or you find me?
There was a time before we were born
If someone asks, this is where I'll be, where I'll be
We drift in and out
Sing into my mouth
Out of all those kinds of people
You got a face with a view
I'm just an animal looking for a home
And share the same space for a minute or two
And I love you till my heart stops
Love you till I'm dead
Eyes that light up
Eyes look through you
Cover up the blank spots
Hit me on the head
Pick me up and turn me around
I feel numb, born with a weak heart
Guess I must be having fun
The less we say about it the better
Make it up as we go along
Feet on the ground, head in the sky
It's okay, I know nothing's wrong, nothing
I got plenty of time
You got light in your eyes
And you're standing here beside me
I love the passing of time
Never for money, always for love
Cover up and say goodnight, say goodnight
Home, is where I want to be
But I guess I'm already there
I come home, she lifted up her wings
I guess that this must be the place
I can't tell one from the other
I find you, or you find me?
There was a time before we were born
If someone asks, this is where I'll be, where I'll be
We drift in and out
Sing into my mouth
Out of all those kinds of people
You got a face with a view
I'm just an animal looking for a home
And share the same space for a minute or two
And I love you till my heart stops
Love you till I'm dead
Eyes that light up
Eyes look through you
Cover up the blank spots
Hit me on the head
(David Byrne)
sábado, 10 de novembro de 2012
50 versões de amor e prazer: 50 contos eróticos por 13 autoras brasileiras
Participo com quatro contos, três deles inéditos.
As autoras que integram a antologia, cuja organização é de Rinaldo de Fernandes:
Ana Miranda
Ana Paula Maia
Andréa Del Fuego
Ana Ferreira
Állex Leilla
Cecilia Prada
Heloisa Seixas
Juliana Frank
Leila Guenther
Luisa Geisler
Márcia Denser
Marília Arnaud
Tércia Montenegro
terça-feira, 23 de outubro de 2012
Enterrem meu coração na curva do rio: carta das comunidades Guarani-Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay-Iguatemi-MS
Nós (50 homens, 50 mulheres, 70 crianças) comunidades Guarani-Kaiowá originárias de tekoha Pyelito kue/Mbrakay, vimos através desta carta apresentar a nossa situação histórica e decisão definitiva diante de despacho/ordem de nossa expulsão/despejo expressado pela Justiça Federal de Navirai-MS, conforme o processo nº 0000032-87.2012.4.03.6006, em 29/09/2012.
Recebemos esta informação de que nós comunidades, logo seremos atacada, violentada e expulsa da margem do rio pela própria Justiça Federal de Navirai-MS. Assim, fica evidente para nós, que a própria ação da Justiça Federal gera e aumenta as violências contra as nossas vidas, ignorando os nossos direitos de sobreviver na margem de um rio e próximo de nosso território tradicional Pyelito Kue/Mbarakay.
Assim, entendemos claramente que esta decisão da Justiça Federal de Navirai-MS é parte da ação de genocídio/extermínio histórico de povo indígena/nativo/autóctone do MS/Brasil, isto é, a própria ação da Justiça Federal está violentando e exterminado e as nossas vidas. Queremos deixar evidente ao Governo e Justiça Federal que por fim, já perdemos a esperança de sobreviver dignamente e sem violência em nosso território antigo, não acreditamos mais na Justiça Brasileira.
A quem vamos denunciar as violências praticadas contra nossas vidas?? Para qual Justiça do Brasil?? Se a própria Justiça Federal está gerando e alimentando violências contra nós. Nós já avaliamos a nossa situação atual e concluímos que vamos morrer todos mesmo em pouco tempo, não temos e nem teremos perspectiva de vida digna e justa tanto aqui na margem do rio quanto longe daqui. Estamos aqui acampados 50 metros de rio Hovy onde já ocorreram 4 mortos, sendo 2 morreram por meio de suicídio, 2 morte em decorrência de espancamento e tortura de pistoleiros das fazendas. Moramos na margem deste rio Hovy há mais de um (01) ano, estamos sem assistência nenhuma, isolada, cercado de pistoleiros e resistimos até hoje. Comemos comida uma vez por dia. Tudo isso passamos dia-a-dia para recuperar o nosso território antigo Pyleito Kue/Mbarakay.
De fato, sabemos muito bem que no centro desse nosso território antigo estão enterrados vários os nossos avôs e avós, bisavôs e bisavós, ali estão o cemitérios de todos nossos antepassados. Cientes desse fato histórico, nós já vamos e queremos ser morto e enterrado junto aos nossos antepassados aqui mesmo onde estamos hoje, por isso, pedimos ao Governo e Justiça Federal para não decretar a ordem de despejo/expulsão, mas solicitamos para decretar a nossa morte coletiva e para enterrar nós todos aqui. Pedimos, de uma vez por todas, para decretar a nossa dizimação/extinção total, além de enviar vários tratores para cavar um grande buraco para jogar e enterrar os nossos corpos. Esse é nosso pedido aos juízes federais.
Já aguardamos esta decisão da Justiça Federal, Assim, é para decretar a nossa morte coletiva Guarani e Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay e para enterrar-nos todos aqui. Visto que decidimos integralmente a não sairmos daqui com vida e nem morto e sabemos que não temos mais chance em sobreviver dignamente aqui em nosso território antigo, já sofremos muito e estamos todos massacrados e morrendo de modo acelerado. Sabemos que seremos expulsas daqui da margem do rio pela justiça, porém não vamos sair da margem do rio. Como um povo nativo/indígena histórico, decidimos meramente em ser morto coletivamente aqui. Não temos outra opção, esta é a nossa última decisão unânime diante do despacho da Justiça Federal de Navirai-MS.
(Carta da comunidade Guarani-Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay-Iguatemi-MS para o Governo e Justiça do Brasil)
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Filhote de tartaruga
Você sabe o que é nascer só,
Filhote de tartaruga
O primeiro dia para erguer pouco a pouco seus
pezinhos da concha,
Ainda não desperto,
E ficar caído na terra,
Não de todo vivo.
Um grão minúsculo, frágil, metade animado.
Para abrir sua minúscula boca de bico, que parece que
nunca se abriria,
Como uma porta de ferro;
Para erguer o bico superior de falcão a partir da
base mais baixa
E esticar seu pequeno pescoço fino
E dar sua primeira mordida em algum obscuro pedaço
de erva,
Só, pequeno inseto,
Pequenino olho brilhante,
Vagaroso.
Para dar sua primeira mordida solitária
E continuar em sua lenta, solitária caçada.
Seu pequeno olho brilhante e escuro,
Sob sua pálpebra vagarosa, pequenino filhote de
tartaruga,
Tão indomável.
Nunca ninguém o ouviu reclamar.
Põe sua cabeça para fora, lentamente, de sua
pequena touca
E parte, arrastando-se devagar sobre seus pés de
quatro alfinetes,
Remando devagar para frente.
Para onde, pequeno pássaro?
Tal qual um bebê mexendo os membros,
Só que você faz um progresso lento, demorado
E um bebê não faz nenhum.
O toque do sol o excita,
E as longas eras e o frio prolongado
Fazem-no parar para bocejar,
Abrindo sua boca impenetrável,
De repente em forma de bico, e todo aberto, como
tenazes inesperadas e bocejantes;
Língua vermelha e macia e gengivas finas e firmes,
Então fecha a cunha de sua pequena fronte de
montanha,
Seu rosto, filhote de tartaruga.
Surpreende-se diante do mundo quando volta, com
vagar, sua cabeça em sua touca
E o vê com olhos negros, lacônicos?
Ou é o sono que o invade de novo,
A não vida?
Você é tão difícil de acordar.
É capaz de se surpreender?
Ou é apenas sua vontade indomável e o orgulho da
vida inicial
Olhando ao redor
E com lentidão arremessando-se contra a inércia
Que parecera invencível?
A vastidão inanimada,
E o brilho suave do seu olho tão pequenino,
Competidor.
Não, pequenino pássaro de concha,
Que vastidão inanimada é essa contra a qual deve
remar,
Que inércia incalculável.
Competidor,
Pequeno Ulisses, precursor,
Não maior do que a unha de meu polegar,
Buon viaggio.
Toda a criação animada sobre o seu ombro,
Avance, pequeno Titã, sob o seu escudo de batalha.
Quão vívida sua viagem parece agora, à luz do sol
que se agita,
Átomo ulisseano, estoico;
De repente apressado, impulsivo sobre os dedos
altos.
Pequeno pássaro sem voz,
Descansando sua cabeça metade para fora de sua
touca
Na dignidade vagarosa de sua eterna pausa.
Só, sem a consciência de estar só,
E portanto seis vezes mais solitário;
Preenchido pela paixão lenta de arremessar pelos
tempos imemoriais
Sua pequena casa redonda no meio do caos.
Sobre a terra do jardim,
Pequeno pássaro,
À margem de todas as coisas.
Viajante
Com sua cauda um pouco de lado
Como um cavalheiro de casaco rodado.
Toda a vida carregada no seu ombro,
Precursor invencível.
(D.H. Lawrence, tradução minha)
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sexta-feira, 3 de agosto de 2012
terça-feira, 31 de julho de 2012
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