As lágrimas começaram a cair
comportadas e silenciosas na metade de Hamnet, este filme terrível, delicado, feio, exagerado, belo, demasiado humano.
No fim a drama queen
aqui explodiu num choro tão descontrolado, soluçando tão alto, que cobriu a
cara com as mãos, se abaixando, tentando se esconder, os joelhos contra o peito, numa posição meio
fetal que era só de pura vergonha mesmo. Eu não abria o berreiro assim num
filme desde Tempo de embebedar cavalos (de Bahman Ghobadi), que vi há quase
trinta anos. E nem sei por quê, já que, com os anos, aprendi como chorar para dentro.
Chloé Zhao tem coragem.
Arrisca, erra, acerta, faz sempre diferente do que já fez. Gosto muito do seu Songs
my brothers taught me. E me dá uma alegriazinha que ela seja mulher,
amarela e neurodivergente.
Quem já pisou no Hades da
insanidade dificilmente sai de lá inteiro (quando sai). Às vezes não se salva nem
com a ajuda de uma lira.
O resto é silêncio.

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