quinta-feira, 31 de julho de 2014

Dois poemas sobre o (des)amor

estou a seus pés
como as flores mortas do ipê

quero estar a seu lado
como o tronco firme do ipê

quero ser para você
– abrigo para o corpo,
luz para os olhos –
como os ramos
e as flores vivas do ipê






amar uma falésia é coisa incauta
o coração não sabe onde se escora
um grão de areia pode ser a diferença
entre ficar e ruir

amar um beija-flor é coisa breve
amor tão leve que não se sustenta
um brilho verde que arrebata a vida
e passa

amar um pensamento, um címbalo, um riacho
tudo quanto vibra, encanta e logo cessa:
sonho em vigília, falsa lembrança, vaga
promessa


(Cide Piquet, Malditos sapatos: 18 poemas de amor e desamor. Série Sem Chancela, apoio: Editora Hedra, 2013)

4 comentários:

  1. Desejo em florescer... Triste, mas bonito.

    Amar é desamor quando insiste em passar, não ficar, se esvair, quando não é aquilo tudo que deveria ser. Esse torpor diante da miragem é realmente um estado latente de instabilidade! Ou seria mais uma fissura no âmago magoado?? Eh, esse seu segundo poema me deixou encucado.

    Bom demais passar por aqui!

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    1. Legal, Bruno, mas esses poemas não são meus :)

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  2. ..espiando seu blog há algum tempo: paisagens admiráveis!

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    1. Fico feliz em saber, Marilia! Eu também espio bastante o Memai :D

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