Quem me conhece sabe que vivo bastante afastada do convívio humano, que
dificilmente vou a eventos para os quais me convidam e, quando o faço, passo
pouco tempo, que não falo em público, que fico confusa no meio de uma multidão,
que sou, enfim, totalmente reclusa. Não que eu não goste de pessoas (algumas
têm e sempre terão lugar cativo aqui dentro), mas é que estar entre elas às vezes
me aflige, às vezes me faz sentir sufocada. Talvez seja apenas medo. No entanto, nunca tive problema com bichos. Com eles parece
haver uma afinidade que me devolve a um estado que deveria, a meu ver, ser
natural da mente e me põe mais à vontade do que com gente. Não tenho dúvidas de
que preferiria encontrar um bando de pitbulls numa rua escura a encontrar um
homem. Ainda que os cães me estraçalhassem, eu não sentiria medo. Poderia
sentir dor, mas não medo. Pois nesta necessidade de paz interior, tenho ficado
com frequência longe da civilização, no meio do mato, que é onde me escondo por
uma questão de sanidade mesmo. Lá os insetos têm força. E a demonstram quando
estou lendo ao sol ou buscando sinal de celular, através de picadas, mordidas,
ferroadas. Mas, curiosamente, não fazem nada quando estou meditando, sentada na
grama, em busca desse estado natural, o que ocorre em geral no fim da tarde, justo quando os insetos estão mais vivos. Quando entro no estado meditativo, naquela
sensação poderosa de que eu e a terra respiramos na mesma frequência, nenhum
inseto me ataca. Ao terminar a prática, constato que não carrego uma picada
sequer, como se tivesse sido esquecida, e que estou incrivelmente viva, assim
dissipada na paisagem.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2019
terça-feira, 8 de janeiro de 2019
quinta-feira, 29 de novembro de 2018
A mulher que falou primeiro
Eu sei que falar do poder das
palavras é um lugar-comum. No entanto, não posso me esquivar de fazê-lo quando
se trata da obra de Adriana Versiani dos Anjos. Talvez até por motivos
pessoais: quando me iniciei na literatura, com pequenos contos, era como ela
que eu queria escrever. Foi sua prosa curta, poética e estranha que ainda não
tinha visto em nenhum outro lugar que me chamou a atenção no projeto mineiro Poesia Orbital. Mais tarde, quando
estive à beira da morte, Adriana, que eu tinha visto pessoalmente apenas uma
vez, dedicou-me um belíssimo poema, “O templo de Leila e a chave que perdi”,
publicado no jornal Dezfaces.
E eu, a despeito de todos os prognósticos médicos, sobrevivi. E foram seus textos
poéticos, como os de A lâmina que matou meu pai, com imagens tão inquietantes, com aquela leveza terrível que os anjos possuem, que me ensinaram a produzir todo um livro quando, posteriormente,
me aventurei pela poesia. Por isso me refiro ao poder que as palavras
têm. De mudar nossa vida, de nos matar, de nos salvar. Inclusive à nossa
revelia. De Adriana, deixo este texto que evoca a mulher primeira, mágica, que,
antes da calada Eva, teve a coragem de dizer: “Meu nome é linguagem”.
(Leila Guenther)
Lilith
I
Hora
do Angelus:
As
amaldiçoadas Evas de Santana do Rio Verde
[batem com o joelho
no chão.
Ainda
uma menina o tempo se abre para mim.
Anoitece
e tento mais uma vez esta história.
Meu
nome é linguagem.
II
Atravessei
a estrada carregando umas coisas.
A
vida não era mais o que houve até então.
A
dez minutos do pasto seco, esta casa é a cidade
[de
matutos e livros empoeirados.
Nesta
tarde, um novilho rumina três vezes
[antes
de morrer.
Sento
à sua sombra.
III
Mais
cedo meu pai deseja a minha morte.
Da
palavra de homem apanho calada até
[os sinos rebentarem.
Sou
linguagem.
IV
Quinze
mulheres me ensinaram a ler o destino
[nos
farelos de pão espalhados pela
[mesa
do café, todas as manhãs.
Todas
as manhãs, as roupas no varal.
As
notícias no velho rádio de válvulas,
[todas
as manhãs.
Com
minha avó aprendi a cantar.
O
resto li nos livros.
V
Imóvel,
amarrada a esta cadeira não tenho força
[para cortar os pulsos.
O
imbecil trancou-se na gaiola.
Mãe,
a Guerra Santa mal começou.
VI
Briga
de socos.
Coração
é músculo.
O
líquido que escorre entre as minhas pernas
[mancha
a história do quintal.
Um
dente cai sobre o chão de terra batida.
Se
fosse sonho seria presságio.
VII
Travesseiro
de macela e uma noite de amor.
Este
homem parece um menino quando dorme.
Passo
o café no coador de pano.
Casa,
seu cheiro é linguagem
VIII
O
tempo se abre para mim e do outro lado da
[mesa
me vejo no meu irmão.
Depois
do mata-burro tem um lago.
Brincamos
de sermos os sanhaços azuis que
[tomam banho lá, eu e meu irmão.
IX
Juro
que eu queria que todas as flores
[procurassem
o sol.
Água
corrente, juro que eu queria.
Juro
que eu queria alimentar a chama.
Minha
sina de mulher, juro que eu queria.
Guardei
todos os escritos no baú que herdei do
[meu
avô, para que meus filhos vejam.
No
dia da minha morte, tudo que eu queria.
X
A
menininha tossiu e me levantei para cobri-la.
Senti
frio.
Fingimos
dormir, enquanto as botas tingem de
[terra
os tacos.
XI
Pálida,
fraca.
O
viço se misturando à lã do cobertor marrom.
Não
abre mais os olhos.
Matar-se
resolveria o problema.
Sua
vingança:
Viver
para sempre deitada no sofá da sala.
(Adriana Versiani dos Anjos)
sábado, 24 de novembro de 2018
Dois poemas para o futuro
CALMA E FUGA
lendo
cruzo a avenida
pensando
no poema
que
fala de uma mulher livre
e
de um homem feito dardo
que
ela atira para longe de si
a
tarde morna já se despede
e
tudo parece tecido
em
fios de ausência e desespero
enquanto
os mortos de hoje
juntam-se
aos corpos de ontem
fingimos
calma, somos fuga
e
ninguém sabe bem em que esquina
a
conversa falhou e deixou
essa
lembrança sem margens
nos
olhos, nos ossos, no vento
um
país
é
descoberto
a
cada manhã
a
cada manhã
um
mesmo país
se
descobre
e
chove forte
sobre
o território
indefeso
todo
dia
um
país é tragado
em
seus lençóis
e
os dias passam
úmidos
e tristes
sob
a terra fértil
à
espera do sol
que
o evapore
e
invente
(Tarso
de Melo, Alguns rastros: uma antologia.
Goiânia, Ed. Martelo, 2018)
quarta-feira, 31 de outubro de 2018
Godzilla no México
Olha só, meu filho: as bombas caíam
sobre a cidade do México
mas ninguém percebia.
O ar transportou o veneno através
das ruas e janelas abertas.
Você acabava de comer e assistia na tevê
a um desenho animado.
Eu estava lendo no quarto ao lado
quando soube que iríamos morrer.
Apesar do enjoo e da náusea
me arrastei até a sala de jantar e encontrei você no chão.
Nos abraçamos. Me perguntou o que estava acontecendo
e eu não disse que estávamos no programa da morte
mas que íamos começar uma viagem,
mais uma, juntos, e que não era para ter medo.
Ao ir embora, a morte nem sequer
fechou nossos olhos.
O que somos?, você me perguntou uma semana ou um ano depois,
formigas, abelhas, números equivocados
na grande sopa podre do destino?
Somos seres humanos, meu filho, quase pássaros,
heróis públicos e secretos.
sobre a cidade do México
mas ninguém percebia.
O ar transportou o veneno através
das ruas e janelas abertas.
Você acabava de comer e assistia na tevê
a um desenho animado.
Eu estava lendo no quarto ao lado
quando soube que iríamos morrer.
Apesar do enjoo e da náusea
me arrastei até a sala de jantar e encontrei você no chão.
Nos abraçamos. Me perguntou o que estava acontecendo
e eu não disse que estávamos no programa da morte
mas que íamos começar uma viagem,
mais uma, juntos, e que não era para ter medo.
Ao ir embora, a morte nem sequer
fechou nossos olhos.
O que somos?, você me perguntou uma semana ou um ano depois,
formigas, abelhas, números equivocados
na grande sopa podre do destino?
Somos seres humanos, meu filho, quase pássaros,
heróis públicos e secretos.
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quinta-feira, 18 de outubro de 2018
Poema da extinção
A noite destrói a oração dos insones,
[o coração
das trevas e dos leões
[que ronronavam no tapete da sala
[banhado pelo sol magro
atravessando
[a janela
Benditos os cães que se eu pedisse
[a janela
Benditos os cães que se eu pedisse
[me rasgariam a barriga e mastigariam
[o
pudim de vidro que jantamos dias atrás
A selva e seu chamado trazem uma certidão
A selva e seu chamado trazem uma certidão
[de nascimento antiga e rasurada
[onde não consta pai
Os que ainda não chegaram esperam
Os que ainda não chegaram esperam
[na fila
subterrânea junto às minhocas
[e comem terra apenas por distração
Esta é a hora dos ruminantes,
Esta é a hora dos ruminantes,
[que nos espiam da
eternidade
[com a pena infinita de quem pisca
[os olhos com lentidão e extravagância
[os olhos com lentidão e extravagância
Já não há jaulas pelas quais lutar
E o sabiá já não abre o bico nem para dizer
“Nunca mais”
E o sabiá já não abre o bico nem para dizer
“Nunca mais”
(Leila Guenther)
segunda-feira, 8 de outubro de 2018
domingo, 23 de setembro de 2018
sexta-feira, 21 de setembro de 2018
Brasil, 1945
Não existe revolução moderada, não existe revolução
dirigida – como se diz, também, economia dirigida. Isso que anunciamos se fará
contra a totalidade do sistema atual, ou não se fará. Se pensássemos que este
sistema é capaz de se reformar, que ele pode romper por si mesmo o curso de sua
fatal evolução para a Ditadura – a Ditadura do dinheiro, da raça, da classe ou
da Nação –, certamente nos recusaríamos a correr o risco de uma explosão capaz
de destruir coisas preciosas, que só se reconstroem com muito tempo,
perseverança, altruísmo e amor. Mas o sistema não mudará o curso de sua
evolução pela simples razão de que ele já não evolui; apenas se organiza no
intuito de durar um pouco mais, de sobreviver.
(Georges Bernanos, A França contra
os robôs. trad. Lara Christina de Malimpensa. São Paulo, É Realizações, 2018)
Quando a paz começa dentro
(Heitor Dhalia, On Yoga: Arquitetura da Paz)
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Um Oriente ao oriente do Oriente
segunda-feira, 17 de setembro de 2018
Hiam Abass no Brasil
Hiam Abass é atriz e diretora palestina. Atuou em filmes como Paradise Now, Blade Runner 2049, Lemon Tree, Munique, Free Zone e O Visitante, e dirigiu Inheritance.
domingo, 22 de julho de 2018
Um girassol nos teus cabelos: poemas para Marielle Franco
Meu poema "15 de março de 2018" está na antologia Um girassol nos teus cabelos: poemas para Marielle Franco (Quintal Edições/ Mulherio das Letras), organizada por Marilia Kubota, Eliane Mara e Cidinha da Silva. O livro será lançado no dia 27 de julho, às 19h30, na Casa do Desejo, em Paraty, durante a FLIP.
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segunda-feira, 4 de junho de 2018
Sem rosto & sem nome
A arte da revista Alagunas para ilustrar meu poema sem nome. A edição, com mais dois de minha autoria, pode ser vista, em dois formatos, aqui.
Participam deste número:
Alberto Lins Caldas || Alessandra Barcelar || Amanda Lins || André Mellagi || Caio Augusto Leite || Carla Andressa || Cid Brasil || Claudia Beata Leal || Daguito Rodrigues || Eduard Traste || Felipe Teodoro || Gabriele Rosa || Geovanne Otavio Ursulino || Henrique Pitt || Ibu Jean Rocha || Juliana Buccioli || Jussara Salazar || Karen Pimentel || Leandro Bachiega || Leila Guenther || Lucas Litrento || Lucas Perito || Marcus Groza || Matheus Guménin Barreto || Munique Duarte || Ruy Proença || Tiago Dias || Tito Leite ||
Tenho
mais de quatro décadas e não tenho história
Nem remédio que me conserte
Sempre suspeitei de um grau de autismo em minhas palavras
E que morreria por ser incapaz de comprar pão
Passo longos dias sem escutar minha voz
Longas páginas onde não atendo o telefone
Porque esqueço que ele toca
Vontade de perguntar à Elza como se inventa uma voz
Como se constrói a própria narrativa
Como fingir que se pertence a um país, fato ou família
Às vezes, muito raramente, sonho
Com um porão gigante que devora tudo o que há na superfície:
Quartos com camas king size se repetem e se sucedem
Sem que ninguém se deite nelas
Porque estão todos na varanda dormindo
Encostados uns nos outros
Depois de tomar veneno
Nem remédio que me conserte
Sempre suspeitei de um grau de autismo em minhas palavras
E que morreria por ser incapaz de comprar pão
Passo longos dias sem escutar minha voz
Longas páginas onde não atendo o telefone
Porque esqueço que ele toca
Vontade de perguntar à Elza como se inventa uma voz
Como se constrói a própria narrativa
Como fingir que se pertence a um país, fato ou família
Às vezes, muito raramente, sonho
Com um porão gigante que devora tudo o que há na superfície:
Quartos com camas king size se repetem e se sucedem
Sem que ninguém se deite nelas
Porque estão todos na varanda dormindo
Encostados uns nos outros
Depois de tomar veneno
sábado, 5 de maio de 2018
Amuleto
Nem
trevo de quatro folhas
foto de filho, mãe ou marido
medalhinha da Virgem
lentilha do ano novo passado
bilhete de loteria
moeda furada
origami de pássaro
cordão umbilical
oração da prosperidade
mensagem de biscoito chinês
pirâmide de cristal
fitinha do senhor do Bonfim
folha de arruda
caroço de romã
olho grego
sachê de sal grosso
rosário bento
ou nota de dólar:
trevo de quatro folhas
foto de filho, mãe ou marido
medalhinha da Virgem
lentilha do ano novo passado
bilhete de loteria
moeda furada
origami de pássaro
cordão umbilical
oração da prosperidade
mensagem de biscoito chinês
pirâmide de cristal
fitinha do senhor do Bonfim
folha de arruda
caroço de romã
olho grego
sachê de sal grosso
rosário bento
ou nota de dólar:
na
carteira, dobrada em dois,
só a fotografia em preto e branco
de um pôr do sol em Marte
só a fotografia em preto e branco
de um pôr do sol em Marte
sábado, 31 de março de 2018
Autorretrato aos vinte anos
Me deixei levar, peguei o bonde andando e não soube nunca
para onde poderia ter me conduzido. Ia cheio de medo,
meu estômago ficou embrulhado e minha cabeça zunia:
devia ser o ar frio dos mortos.
Não sei. Me deixei levar, achei que era uma pena
acabar tão cedo, mas por outro lado
escutei aquele chamado misterioso e convincente.
Ou você escuta ou não escuta, e eu o escutei
e quase caí no choro: um som terrível,
nascido no ar e no mar.
Um escudo e uma espada. Então,
apesar do medo, me deixei levar, encostei o meu rosto
no rosto da morte.
E para mim foi impossível fechar os olhos e não ver
aquele espetáculo estranho, lento e estranho,
embora encravado em uma realidade velocíssima:
milhares de rapazes como eu, imberbes
ou barbados, porém todos latino-americanos,
de rosto colado com a morte.
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terça-feira, 20 de março de 2018
quinta-feira, 15 de março de 2018
15 de março de 2018
(Marielle Franco, 1979-2018)
Venho repetindo
com a consciência do fracasso
os passos de sempre
à procura de mim
à procura de um chão para chamar de país
desde a primeira luz da manhã
que me faz ver o que não quero
até a escuridão da noite
em que me prometem o esquecimento do que vi
com a consciência do fracasso
os passos de sempre
à procura de mim
à procura de um chão para chamar de país
desde a primeira luz da manhã
que me faz ver o que não quero
até a escuridão da noite
em que me prometem o esquecimento do que vi
Há quem lute em meu lugar
Há quem morra no lugar de todos
Há quem nos mate todos os dias
Há quem morra no lugar de todos
Há quem nos mate todos os dias
Hoje
“Ficaram velhas todas as notícias.”
“Ficaram velhas todas as notícias.”
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018
Vida prática
[para Leila Guenther]
mais uma dúzia
de cliques
e serei fera
na meditação
caminhando
vinte e dois livros
e trinta filmes
que me garantem
o ingresso
no universo
do minimalismo
dó ré mi fá
depois de todos
esses vídeos
vai faltar corda
para tanta fluência
no violão
mil páginas
sobre os segredos
da ióga e da yôga
me prenderam
a esta cadeira
por semanas
mas já sinto
os músculos
elásticos
aulas online
sobre os desafios
da maratona
e minhas pernas
já não são
as mesmas
no entanto
a maravilha
dos poemas alheios
e o receituário
dos hermeneutas
mais tomam
que dão os versos
que eu deveria
escrever
(Tarso de Melo)
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presentes
segunda-feira, 29 de janeiro de 2018
Vem comigo
Por isto estou aqui em tua
companhia:
pelo Chile, por sua azul soberania,
pelo oceano dos
pescadores,
pelo pão dos meninos que
cantam,
pelo cobre e pela luta no escritório,
pelo cobre e pela luta no escritório,
pela nossa agricultura e
pela farinha,
pelo bom companheiro e pela amiga,
pelo bom companheiro e pela amiga,
pelo mar, pela rosa e pela
espiga,
por nossos compatriotas esquecidos,
por nossos compatriotas esquecidos,
estudantes, marinheiros ou
soldados,
pelos povos de todos os países,
pelos povos de todos os países,
pelos sinos e pelas
raízes,
pelos caminhos e pelas
trilhas,
que levam à luz o mundo
inteiro
e pela vontade libertadora
das bandeiras vermelhas na aurora.
das bandeiras vermelhas na aurora.
Com esta união estão
minhas alegrias.
Luta comigo e eu te
entregarei
todas as armas de minha poesia.
todas as armas de minha poesia.
(Pablo Neruda, traduzido
por Marcelo Donoso e por mim)
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