segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Lembrar, esperar, esquecer

Dias atrás publiquei no Facebook o comentário abaixo, junto com “Circe”, do meu livro Viagem a um deserto interior, e o professor e crítico Fernando Morato, tendo gostado do meu poema, fez uma análise belíssima e generosa dele neste vídeo em seu canal. Sempre me surpreende o quanto aprendo sobre minha própria escrita através dos outros.

A Odisseia em cartaz me fez pensar o que seria num passado remoto ouvir, em volta de uma fogueira, uma epopeia, ou seja, uma espécie de filme de ação narrado de cor. Tenho uma vaga ideia pela experiência infantil de ter ouvido meus pais lerem histórias antes de eu dormir.

Falo de um filme a que ainda não assisti, mas é de Christopher Nolan, o diretor de Amnésia (Memento), primeiro filme seu que vi há mais de 20 anos (acho que é seu segundo longa) e que me surpreendeu bastante pelo formato, no qual subverte tanto a memória quanto o esquecimento.

Tenho especial curiosidade de saber como é a Circe do filme, a feiticeira que aprisiona homens e os transforma em bichos, que falha em enfeitiçar Ulisses mas ironicamente se deixa enfeitiçar por ele. Uma personagem tão enigmática que me levou a escrever este texto [“Circe”] para tentar entendê-la. Há tempos escrever tem sido a forma de melhor me acercar daquilo que não compreendo.