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sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Robert Wilson, imortal

 

Morreu o revolucionário dramaturgo e encenador Bob Wilson, em cujas montagens brasileiras de A dama do mar1 e A velha2 trabalhei, com adaptação e tradução. Foi uma experiência incrível trabalhar com os atores, nos bastidores, e ver como tudo aquilo se transformava numa obra monumental, uma marca pessoal, única, de algo histórico.

No Brasil, ele também fez A vida e a época de Joseph Stálin (que aqui se chamou Dave Clark por causa da censura, em 1974, e teve duração de 12 horas), A ópera dos três vinténs, Macbeth [de Verdi] etc.

Dele, disse Ionesco:

“Eu pensava cá comigo algumas coisas sobre teatro e acabo de compreender que nada aconteceu no intervalo de tempo entre Shakespeare e Bob Wilson.”

 

1 A dama do mar foi uma adaptação de Susan Sontag para Ibsen, a primeira no Brasil com atores brasileiros, Bete Coelho e Lígia Cortez entre eles.

2 A velha foi uma adaptação de Darryl Pinckney para Daniil Kharms, com Mikhail Baryshnikov e Willem Dafoe.














quinta-feira, 21 de julho de 2022

Tio Vânia em Hiroshima, mon amour

Ainda não sei se Drive my car, de Ryûsuke Hamaguchi, Oscar de melhor filme estrangeiro de 2022, é o filme mais japonês ou mais russo que já vi, ou se, por ambos os motivos, é o mais universal.

Em tempos:

1. Foi o filme em que mais vezes vi pronunciada uma palavra que os japoneses evitam: não ();

2. O nome da personagem feminina que paira sobre o filme inteiro tem um nome (Oto) que, associado ao tratamento respeitoso japonês (sam), parece, aos meus ouvidos, se transformar em outra palavra (otosan), pai, que é o que falta à jovem motorista; oto também significa som, como me lembrou uma amiga, algo chave na obra;

3. O título Drive my car é nome de uma música dos Beatles que não é tocada no filme (baseado no conto “Homens sem mulheres”, de Haruki Murakami, que possui um romance cujo título é também o nome de uma canção dos Beatles, como lembrou outro amigo);

4. A vida que o vermelho confere a um ser inanimado, no cinza do filme, me lembrou o que Wim Wenders, apaixonado pelo cinema japonês, fez com os objetos de Paris, Texas;

4. Colocar numa peça sobre o nada (Tio Vânia) - numa montagem em que são falados vários idiomas - uma atriz muda, que se expressa pela linguagem dos sinais, é tão significativo quanto belo;

5. Tudo na vida é teatro.




segunda-feira, 27 de maio de 2019

O corpo como universo



Ontem fomos assistir a Cão sem plumas, espetáculo de Deborah Colker inspirado em João Cabral de Melo Neto. Passaram muitas coisas desconectadas por minha cabeça, numa espécie de fluxo aleatório, enquanto me entregava à hipnose do movimento: minhas aulas de um yoga intenso e transformador e de uma dança na qual a "sororidade" e o "jogo de cintura" são tão importantes, as palavras de um texto clássico do tantrismo ("Na verdade, cada corpo é um universo completo") e de Dôgen, monge introdutor do zen-budismo no Japão, via meu professor de mindfulness, Marcelo Demarzo ("O universo inteiro é o corpo real do ser humano"), meu contato com a sinuosidade do boxe tailandês, a quase palpável energia vital "chi" que perpassa tudo, a alegria de respirar, a meditação que a cada dia me põe mais presente no presente, mas sobretudo a consciência de que o corpo é um instrumento de expressão poderosíssimo e, portanto, extremamente subversivo. Deve ser por isso que ele assusta e amedronta tanto. Durante muito tempo dividi mente e corpo como se fossem entidades distintas, sem entender que são uma coisa só: a mente é parte do corpo. Isso só mudou por meio de práticas contemplativas que, a despeito do conteúdo mental, são bastante físicas.

Hoje posso dizer: habito um corpo, logo existo.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Hiam Abass no Brasil


Hiam Abass é atriz e diretora palestina. Atuou em filmes como Paradise Now, Blade Runner 2049, Lemon Tree, Munique, Free Zone e O Visitante, e dirigiu Inheritance.

domingo, 18 de maio de 2014

Ikiru (Viver)


(Tadashi Endo, Ikiru: Réquiem para Pina Bausch)

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Alice K.

Veja aqui, no Jornal Memai, a entrevista com a diretora, atriz e pesquisadora teatral Alice K., que recententemente dirigiu a leitura encenada de Toca de Cupins, peça de Yukio Mishima, inspirada na viagem do escritor japonês pelo interior paulista e ainda inédita no Brasil. A peça recebeu o Kishida Drama Award, "o mais importante prêmio de dramaturgia do Japão".



sexta-feira, 18 de abril de 2014

Gesamtkunstwerk!

"Eu pensava cá comigo algumas coisas sobre teatro e acabo de compreender que nada aconteceu no intervalo de tempo entre Shakespeare e Bob Wilson." 
(Eugène Ionesco)




Veja aqui os depoimentos de Robert Wilson e Susan Sontag sobre A Dama do Mar, e imagens da montagem brasileira.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Cafe Müller


(Pina Bausch, Cafe Müller)

sexta-feira, 4 de abril de 2014

domingo, 8 de setembro de 2013

O Livro da Grande Desordem e da Infinita Coerência

Espetáculo oferece ao público experiência estética deslumbrante
Utilizando o conceito de arte total como procedimento, o espetáculo "O Livro da Grande Desordem e da Infinita Coerência" justapõe elementos visuais, sonoros e textuais com excelência rara.
A montagem dirigida e protagonizada por André Guerreiro Lopes proporciona uma experiência estética ímpar, ao retratar o universo do autor sueco August Strindberg (1849-1912) combinando com mesma potência todos os elementos cênicos disponíveis.
A paranoia de seu romance autobiográfico "Inferno" e o simbolismo de sua peça "O Sonho" são retratados por meio de uma atmosfera onírica, criada a partir de um cenário soturno e um sofisticado desenho de luz.

Lenise Pinheiro/Folhapress
André Guerreiro Lopez (esq.), Eduardo Mossri, Djin Sganzerla (sentada) e Helena Ignez em cena da peça
André Guerreiro Lopez (esq.), Eduardo Mossri, Djin Sganzerla (sentada) e Helena Ignez em cena da peça
Existe apuro igual tanto pelos aspectos visuais macro --cenografia, iluminação, projeção de vídeo-- quanto pelos micro --a gestualidade milimétrica das mãos de Djin Sganzerla, a expressão enigmática de Eduardo Mossri.
Cada cena forma quadros estilizados independentes.
O figurino de Sonia Ushiyama é elegante e apropriado ao enredo, com casacos acinturados para os atores e vestuário longo para as atrizes. Junto com a maquiagem dark, o figurino compõe o ambiente expressionista da peça.
A trilha sonora é executada ao vivo por Gregory Slivar. À frente de uma parede de luz, que lhe dá um recorte de sombra silhuetado, toca piano, violino e flauta, além de coordenar sons pré-programados em computador.
A concepção de "paisagem sonora" prioriza também a musicalidade ruidosa de diversos objetos espalhados pelo palco.
André Guerreiro conduz com maestria a encenação.
Como ator, invoca as microcenas que vão formando a narrativa fragmentária, doando-se com paixão ao papel (estratégia muitas vezes arriscada no campo da atuação) sem erros. Em outros momentos ele desliza como um bailarino contemporâneo, abusando de movimentos descontínuos a abruptos.

PEÇA DENTRO DA PEÇA
Ao dirigir e atuar simultaneamente, potencializa as camadas de interpretação do espetáculo, já que até mesmo seu personagem ficcional dirige a peça dentro da peça.
A discussão matrimonial entre Djin e Mossri tem intensidade dramática perturbadora, assim como o debate entre professor e aluno.
Helena Ignez faz rápidas aparições com um livro nos braços. Com sua vocalização grave, transita pelo tablado recitando trechos esparsos, ampliando a estranheza que a obra de Strindberg sugere.
A arriscada sobreposição de tantos elementos poderia ruir o sistema cênico proposto, causando superabundância de significantes e significados, não fosse o andamento tranquilo entre as cenas.
Nunca há excessos. Se a ação é tomada por efeitos de luz mirabolantes, a penumbra volta na sequência. Quando o labirinto sonoro ameaça perturbar a compreensão, o ritmo lento ressurge. E a pantomima e o diálogo estão em harmonia. Obra de arte completa, sem ressalvas.

O LIVRO DA GRANDE DESORDEM E DA INFINITA COERÊNCIA
QUANDO sex. e sáb., às 21h; dom., às 18h
ONDE Sesc Santana (av. Luís Dumont Villares, 579; tel. 0/xx/11/ 2971-8700)
QUANTO R$ 24
CLASSIFICAÇÃO 14 anos
AVALIAÇÃO ótimo

(Marcio Aquiles, Folha de São Paulo, "Ilustrada", 5/9/2013)

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

O Belo Indiferente

Hoje é a última apresentação de O Belo Indiferente. Texto de Jean Cocteau (para Edith Piaf) e direção de André Guerreiro Lopes e Helena Ignez. Com Djin Sganzerla e Dirceu de Carvalho. Para mais informações, clique aqui.


quinta-feira, 4 de julho de 2013

A Dama do Mar, de Susan Sontag, em livro

A Dama do Mar, de Susan Sontag, baseada na peça de Ibsen; tradução: Fábio Fonseca de Melo; revisão e adaptação: Leila Guenther. São Paulo, N-1 Edições, 2013.




segunda-feira, 1 de julho de 2013

A dama do mar - última semana



Conhecido por seus espetáculos grandiosos, de grande apuro técnico e apelo visual, o norte-americano Bob Wilson dirige elenco brasileiro na montagem, adaptação da escritora Susan Sontag para clássico texto de Henrik Ibsen. A trama é centrada em Élida, mulher que, após a morte do pai aventureiro, se casa com um homem mais velho, pai de duas filhas. Élida, então, sente-se sufocada pela rotina.

Sesc Pinheiros
Rua Paes Leme, 195

Pinheiros - Oeste -
(011) 3095-9400
www.sescrg.br


- Estac. (R$ 6 a R$ 8 p/ 3 h). Ingresso: R$ 10 a R$ 40
- Acesso para deficiente


De 31/05/2013 até 07/07/2013
21h
20h
18h


Forma de pagamento

Cartões de crédito:
Amex, Aura, Diners, Elo, Hipercard, MasterCard, Sorocred, Visa


(http://guia.uol.com.br/sao-paulo/teatro-e-danca/detalhes.htm?ponto=a-dama-do-mar_2414264886)

terça-feira, 14 de maio de 2013

Bob Wilson no Brasil

No Estadão de hoje, A Dama do Mar,  peça que eu revisei e adaptei.


(Change Performing Arts)

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Ibsen + Susan Sontag + Bob Wilson

(Foto: Maristela Gaudio)


Eu à esquerda, trabalhando com o texto A Dama do Mar, de Susan Sontag, adaptação da peça de Ibsen, que estreia em sua versão brasileira em maio, sob direção de Bob Wilson. No elenco, Bete Coelho, Lígia Cortez, Ondina Castilho, Hélio Cícero e Luiz Damasceno. André Guerreiro é o assistente de direção.

domingo, 26 de setembro de 2010

WabiSabi: coreografia + fotografia + poesia



(foto: Juliano Gouveia dos Santos)

Acabou de sair em Cronópios um trabalho que fiz com o fotógrafo Juliano Gouveia dos Santos a propósito do espetáculo WabiSabi, de 2008, da coreógrafa Susana Yamauchi.