sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Em duas línguas

Dois poemas meus traduzidos para o espanhol na revista chilena Cinosargo


(Ilustração: Sarah Bauer)

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Haicais de primavera

E-book Ipê-amarelo: 26 haicais, organizado por José Marins em homenagem a Masuda Goga, mestre de haicai, sobre quem escrevi certa vez:

No adeus ao mestre,
lamentando todos os mortos –
saudades do avô.

Participam do livro: 
A. A. de Assis 
Alvaro Posselt
Amauri Solon
Carlos Bueno
Carlos Viegas
David Rodrigues
Edson Kenji Iura
Elisa Campos
Joba Tridente
José Lira
José Marins
José Tucón
Leila Guenther
Leo Cunha
Luiz Gustavo Pires
Nelson Savioli 
Nete Brito
Osiris Duarte
Regina Bostulim
Rosalva Brüsch
Sérgio Pichorim
Sev Gyn
Suzana Lyra Strapasson
Terezinha Manczak
Vanice Ferreira


domingo, 21 de setembro de 2014

Bardos III


(Tom Waits, "Take it with me")

Dois rios e mil e uma noites

dois rios

há em minha terra dois rios
silenciosos

um
estendido em verde tapete de aguapé
onde não mais trafegam canoas
apenas diminutas criaturas buscando seu pasto

outro
árido tapete árabe
onde todos caminham acima de sua face




a noite

que seja à noite tarde da noite e nada mais se enxergue
e nada mais se espere nem canto algum destoe
ainda que apenas fosse este silêncio certo de prece

qual áspera certeza suave como árvore sem folha
que somente recolha o último instante que lhe baste
que seja tarde tão tarde que outra porta não se escolha

e nada mais se enxergue nem amigos nem destinos
onde todos estão dormindo e uma leve brisa reste
tênue e inerte que o pensamento esquece que estou sozinho

sem incomodar ir embora na calma de quem parte
tranquilo mas que não seja à tarde a mais morta das horas


(Adriano Lobão Aragão. As cinzas as palavras. 2.ed. Teresina: dEsEnrEdoS, 2014)

sábado, 20 de setembro de 2014

Teu verde

Todas as mulheres são tigres desenhados em teus olhos.
* * *
Há um vocabulário do verde, 
inumeráveis ecos do teu verde 
que se desdobram na noite estrelada:
olhos-pés, olhos-mãos, olhos-boca, olhos-peitos, olhos-nada.
Cada letra de teu nome tem a sua própria cabeleira,
denso alfabeto que incita à iniciação no segredo de teu segredo.
Tua sombra segue minha sombra em cada passo mínimo.

(Claudio Daniel)







domingo, 31 de agosto de 2014

Torre de Babel


Revista Zunái, agosto de 2014


TORRE DE BABEL - Tradução Volume 1 Número 4:
MAIAKÓVSKI por Augusto de Campos
ÓSCAR HAHN por Nina Rizzi
ALFREDO FRESSIA por Adalberto de Oliveira Souza
LI T’AI PO por Leila Guenther
NIELS HAV (Dinamarca) por Ricardo Labarca e Gloria Galindo

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

"El dolor también se olvida"


(Buika, "La noche más larga")

terça-feira, 26 de agosto de 2014

"To heal our mother's pain"


(CocoRosie, "Lemonade")

sábado, 23 de agosto de 2014

Jane Bowles












Não cortará os cabelos e os laços por Diego
Não irá para o hospício por Auguste
Não se matará com gás por Ted

O máximo que faria
Era se mudar para Tânger

(leila guenther)


sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Quando éramos reis


When we were kings, de Leon Gast, sobre Muhammad Ali, o homem que mudou a História (do jab, para dizer o mínimo, o que já é o máximo)

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Quatro poemas icterofágicos

I am dead, Horatio

Vestia preto
e sabíamos que era um luto prematuro.
Em suas mãos os livros,
e de sua boca as palavras ganhavam outro sentido.
Prezava a luz do dia
como a escuridão da noite, e quantas vezes vimos
seus olhos-luzes surgindo no escuro.
Dizem que falava só e estava louco,
que trocara o amor ideal pelo do corpo
– como troca nisso houvesse –
e que era um homicida.
Partilhei sua companhia em dias dúbios,
vi o que ele viu, comi do que comeu e digo:
sua mente, o fio da espada.
Terá encontrado um elixir na vingança,
executada como arte,
o que lhe deu vida extremada
e morte extrema.
Prova disso é que todos choraram quando,
ao abrirmos os portões levando o corpo,
anunciei:
            O príncipe Hamlet está morto.



Durar & permanecer

É preciso esquecer para lembrar:
o tempo nos acossa com a multitude
que os olhos sem distingüir desfiguram;
do peso da terra de séculos ressurge
o deus faraó envolto em cinzas e pó;
da têmpera em cacos,
a fagulha do anjo no sonho de Constantino.
Tudo surge para derreter e partir,
como um sonho que aperta
resquícios do dia num redemoinho
onde andamos não raro suspensos
entre ignorar e saber.
E isso é história: a sombra retorna,
sussurra seu nome em bocas futuras
e mesmo dirá fuit hic: apenas memória?



Jean-Pierre Léaud

Os sapatos se gastam
e nem me dou conta.
Como atar o nó da gravata
ou um beijo sob a umidade
da adega?

Nem mais uma palavra!
Ah, mas vocês gostam de falar!
Não tenho tempo, perdão,
estou indo (onde eu deixei
a chave?)



Os Cientistas
Doubt truth to be a liar

Há alguma corrosão no início
– faz parte de seu ofício;
distribuem, como os padres,
a profilaxia, que não é santa,
mas igualmente certa.

Um silêncio de murmúrio
recobre máquinas e ataduras;
aplicam por critério antecedente
prescrições e vacinas em quem
um dia vai ficar doente.

Como na Lei,
há a vantagem do microscópio,
que é por onde entra o miópico
olho da civilização: macacos gritam,
flores abrem, deuses mortos
cospem sangue verde em gargalhada.

“Nós temos a resposta para o Nada.”


(Dirceu Villa. Icterofagia. São Paulo, Hedra, 2007)




segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Para Gaza

Os nascidos em Gaza

Morri antes de ter vivido
outrora vivia em uma cova
agora me dizem que ela não é grande o bastante
para conter todas as minhas mortes












Pezinhos

Uma mãe olha para outra –
um mar de pequenos corpos
queimados ou degolados
ao seu redor –
E pergunta:
Como velaremos isto?


Nathalie Handal (1969), cuja família é palestina, publicou peças de teatro, poemas e ensaios, como Love and Strange Horses, Poet in Andalucía, Hakawatiyeh, Men in Verse e "Mahmoud Darwish: Palestine's Poet of Exile". A tradução dos poemas é minha


sexta-feira, 15 de agosto de 2014

27

Coisas passadas que nos causam saudades. Flores ressequidas de malva. Ornamentos do Dia das Meninas.
Momentos em que nos deparamos com um retalho tingido de roxo-carmesim e roxo claro avermelhado prensado entre as páginas de uma brochura. Ou, em tedioso dia de chuva, encontrar cartas que outrora nos comoveram.
O leque do ano que passou.


(Sei Shônagon, O livro do travesseiro. Trad. G. Wakisaka, J. Ota, L. Hashimoto, L. N. Yoshida e M.H. Cordaro. São Paulo, Editora 34, 2013)

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Celso de Alencar

UM CANTO VINDO DE LONGE

Era assim como um canto
que se ouve vindo de longe.
Voz de pássaro que se alimenta
de raízes das árvores encontradas nas montanhas.

Assim era a voz deslumbrante
que encantava os homens.
A única voz inglesa que vivia na cidade,
na nossa rua, a quatro quadras da minha casa.
Pedia a todos que a chamassem de ovelha.
E todos os homens, cheios de incontida alegria
obedeciam como se fossem beber água.

Na hora do gozo exigia que imitassem
um som que se assemelhava a voz de ovelha.
Um desvario. Uma loucura extremada.
Uma loucura mais que loucura
de homens andando de quatro pela varanda
gritando a mais absurda das palavras. Bé.

Foi um matador de ovelhas que a matou.
Matou-a como matava as suas ovelhas.
Deu-lhe um golpe profundo no pescoço
e permaneceu sentado rente à cama,
ouvindo um canto vindo de longe,
até a manhã do outro dia.



ILDA

Se acaso tivesse eu
a violeta chinesa
eu a colocaria nesse
vaso marajoara e diria:
mesmo vivos
não temos liberdade
para viver.

Se acaso tivesse eu
o único boi vermelho
com listras brancas
eu o colocaria entre
essas palhas de feijão
e esses milhos brancos e diria:
ainda que te transformes em sangue
poderei dizer: foste meu filho
e antes que essas balas
e essas explosões
atinjam meu peito
abrirei a única liga
que me prende a ti – a sacola marrom-
e deixarei o sangue escorrer.

Sobre esta montanha que piso
meus pés desconhecem.
E esse vento frio que joga
essas folhas pardas no meu rosto
é o mais forte dos nove invernos.


(Celso de Alencar)





terça-feira, 12 de agosto de 2014

Björk & e.e.cummings


(Björk, "Sun in my mouth")

i will wade out
                        till my thighs are steeped in burning flowers
I will take the sun in my mouth
and leap into the ripe air
                                       Alive
                                                 with closed eyes
to dash against darkness
                                       in the sleeping curves of my body
Shall enter fingers of smooth mastery
with chasteness of sea-girls
                                            Will i complete the mystery
                                            of my flesh
I will rise
               After a thousand years
lipping
flowers
             And set my teeth in the silver of the moon

(e.e.cummings)

The tide will show you the way


(Björk, "Bachelorette". Direção de Michel Gondry)

sábado, 9 de agosto de 2014

Ocupação 101



(Occupation 101, de Abdallah Omeish e Sufyan Omeish) 

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Dois poemas sobre o (des)amor

estou a seus pés
como as flores mortas do ipê

quero estar a seu lado
como o tronco firme do ipê

quero ser para você
– abrigo para o corpo,
luz para os olhos –
como os ramos
e as flores vivas do ipê






amar uma falésia é coisa incauta
o coração não sabe onde se escora
um grão de areia pode ser a diferença
entre ficar e ruir

amar um beija-flor é coisa breve
amor tão leve que não se sustenta
um brilho verde que arrebata a vida
e passa

amar um pensamento, um címbalo, um riacho
tudo quanto vibra, encanta e logo cessa:
sonho em vigília, falsa lembrança, vaga
promessa


(Cide Piquet, Malditos sapatos: 18 poemas de amor e desamor. Série Sem Chancela, apoio: Editora Hedra, 2013)

domingo, 27 de julho de 2014

Na Espanha

Saiu no El País esta matéria sobre a antologia Cusco, espejo de cosmografías: antología de relato iberoamericano (Ceques Editores, 2014), na qual represento o Brasil com um conto. 



(El País, 26/07/2014)