terça-feira, 10 de maio de 2016

Radiohead por Paul Thomas Anderson



Daydreaming

Dreamers
They never learn
They never learn
Beyond the point
Of no return
Of no return

And it's too late
The damage is done
The damage is done

This goes
Beyond me
Beyond you
The white room
By window
Where the sun goes
Through

We are
Just happy to serve
Just happy to serve
You

Evol ym dnuof ev'I
Evol ym dnuof ev'I
Evol ym dnuof ev'I
Evol ym dnuof ev'I
Evol ym dnuof ev'I
Evol ym dnuof ev'I
Evol ym dnuof ev'I
Evol ym dnuof ev'I

Evol ym dnuof ev'I
Evol ym dnuof ev'I
Evol ym dnuof ev'I
Evol ym dnuof ev'I
Evol ym dnuof ev'I
Evol ym dnuof ev'I
Evol ym dnuof ev'I
Evol ym dnuof ev'I

segunda-feira, 2 de maio de 2016

quarta-feira, 23 de março de 2016

Criando mundos

Como meu material de trabalho é a palavra, a linguagem escrita, sempre me intrigou o funcionamento das artes que lidam com outro tipo de matéria-prima, como a música ou as plásticas. Costumo pensar em mundos criados pelo Verbo. Enredos, tramas, enfim, todo o entrelaçamento de ideias que habita uma cabeça. O trabalho de Paulo Sayeg, no entanto, conta para mim essa mesma história, a história da Criação, mas através da imagem. Não a do mundo como ele é, mas como o Criador o vê. Seu traço perfeito, em vez de estabelecer limites, rasga como uma navalha as fronteiras entre o real, realista, e o irreal, fantástico, mágico, para criar algo que na verdade não é uma coisa nem outra, mas algo único, que tem sua própria verossimilhança, suas próprias regras, uma espécie de universo à parte, ou outra dimensão. Paulo Sayeg é um criador de mundos. E, uma vez que adentramos neles, já não queremos mais sair.

(Texto que escrevi sobre Paulo Sayeg, que ilustrou meu livro de poemas, a propósito da sua exposição na Acierno, que começa hoje)


(ilustração de Paulo Sayeg para Viagem a um deserto interior, Ateliê Editorial, p. 39)

quinta-feira, 10 de março de 2016

El Botón de Nácar

A lembrança cinematográfica mais pungente do ano de 2015 se relaciona com duas imagens de El Botón de Nácar, de Patricio Guzmán, autor do soberbo Nostalgia de la Luz, no qual se traça um paralelo entre povos indígenas da Patagônia que mantinham uma profunda relação com o mar (que os chilenos perderam, apesar da extensão de seu litoral), exterminados durante o processo “civilizatório”, e prisioneiros políticos exterminados durante a ditadura militar (arremessados de aviões e helicópteros) neste mesmo mar do sul, convertido, portanto, em cemitério: a pintura corporal de um dos povos retratados no documentário, os Selknam, e a expressão de Gabriela Paterito, remanescente dos Kawésqar, ao afirmar que sua língua nativa não conhecia palavras nem para deus nem para polícia: “Não precisávamos deles”, diz ela.



sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Quatro poemas de Vicente Huidobro

O poeta chileno traduzido por Marcelo Donoso e por mim na revista Zunái.

(Retrato de Huidobro por Picasso)

No jornal Estado de Minas





7 poetas hoje
Literatura brasileira contemporânea tem lançamentos de obras de fôlego no campo da poesia. O poeta e professor Mario Alex Rosa fez uma seleção de trabalhos escritos por mulheres
A poesia brasileira contemporânea vai bem, obrigado. Essa afirmativa assim, tão sem ajustes, pode dar a entender que tudo é sinal de qualidade. O que se pode notar hoje é que existem muitas publicações, inclusive com o crescimento de pequenas editoras. Fazer a varredura dessa enorme quantidade de livros é tarefa difícil, complexa e um tanto perigosa, pois qualquer reparo que um crítico possa fazer a um livro de um poeta contemporâneo pode condenar este a um dos círculos infernais de Dante. Ou mesmo quando cita apenas alguns, omitindo outros, como é o caso aqui, a cabeça do crítico pode ir a prêmio. No entanto, é preciso assumir riscos, pois assim, quem sabe, possamos comentar abertamente a poesia contemporânea em suas diversas manifestações.
Para começar, lembro aqui uma passagem do ótimo poeta Cacaso – um dos mais importantes pensadores de sua geração, que assim inicia uma resenha sobre a poesia da Olga Savary: “Uma atitude que se generaliza entre as mulheres poetas é evitar serem confundidas com a tradicional 'delicadeza feminina', para a qual os críticos sempre apelam quando querem reconhecer algumas peculiaridades em nomes como Cecília Meireles e Henriqueta Lisboa” (revista Veja, 13.out., 1982). A propósito disso, passaremos em revista sete livros de poetas contemporâneas que publicaram obras em 2015. Adiantamos que, por limite de espaço, não há como detalhar certos procedimentos formais de cada autora. Todas as poetas têm mais de um livro editado, tendo Simone de Andrade o maior intervalo de publicação entre um livro e outro, cerca de 20 anos. Já a poeta Denise Emmer é a que mais lançou livros, mesmo porque é de outra geração. Enquanto Ana Elisa Ribeiro, Adriane Garcia, Ana Martins, Tatiana Pequeno, Leila Guenther e Simone de Andrade são todas da mesma geração. Das sete poetas, Emmer, Guenther e Ana Elisa atuam também em outros gêneros, como o romance e o conto.
Se Cacaso estava certo, é possível então sair do clichê “delicadeza feminina” e pensar a poesia das sete poetas como um lugar de autoras que escrevem independentemente dos vestígios que possam haver de delicado e feminino em cada escrito. O que importa dizer é que o poeta deve ficar alheio a esses adjetivos e deixar a palavra poética se impor como processo de transformação, tanto estético como ideológico.
Pensando assim, Aceno, infelizmente de pequena circulação, é o segundo livro de Tatiana Pequeno, uma poeta que acena para um lugar onde a linguagem de extrema depuração comove porque desola, comove porque não inibe o feminino, ainda que às vezes atue de forma hermética. A poesia de Tatiana Pequeno, ao contrário do seu sobrenome, tem na sua estrutura poemas narrativos, com versos longos entrecortados com grande habilidade no uso dos enjambements. Aceno, mesmo com seu intimismo, talvez seja o único livro das sete poetas que evoca momentos recentes dos protestos que se espalharam no Brasil nos últimos anos. Na forma de uma carta aberta (Carta para Mariana, depois dos protestos) embora íntima, temos um dos belos poemas desse livro grandioso.
Corpos em marcha, de Simone Andrade Neves, é quase a estreia da poeta mineira. Mas um começo muito promissor, pois traz uma poesia que, muito trabalhada na sua linguagem, consegue se esquivar da suposta delicadeza feminina. A sua delicadeza é conquista diária, por isso seus corpos (linguagem) se impõem numa perícia demorada na escolha de cada palavra, cada verso, e tudo isso sem perda do lirismo que, camuflado, se abre sutilmente para a descoberta do prazer, como no admirável poema Ovo. Simone de Andrade, sem dúvida, é uma das ótimas revelações na cena da nossa jovem poesia contemporânea.
Se na poeta mineira acima o delicado se esquiva, o mesmo não ocorre com a poesia da belo-horizontina Ana Martins Marques. Em seu terceiro livro (Livro das semelhanças), a poeta acentua o uso da metalinguagem, porém recoloca esse exercício numa visada amorosa, como na última parte do livro, onde o tema amoroso, um dos mais buscados pela poesia desde sempre, ganha delicadeza sem frivolidade. Ana Martins é daquelas poetas que pensa muito o que sente e, sentindo, recolhe-se para embaralhar os sentimentos. Talvez por isso a ironia seja tramada de maneira discreta, mas que está lá para dizer que o amor, às vezes, pode ficar ancorado num porto de alguma cidade, onde uma vez esquecido é lembrado. Que o digam as “cartografias”, um dos pontos fortes do livro. Portanto, as semelhanças aqui são apenas um espelho, digamos fosco, que nos adverte ser preciso desconfiar das doações.
Desconfiar é o que Ana Elisa faz no seu Xadrez. Mudando as peças do tabuleiro, a poeta não mede palavras para derrubar os reis. A sua delicadeza é dar xeque-mate com humor, mas um humor irônico, pois a aparente simplicidade da linguagem é na verdade algo sempre refletido, como no jogo que dá título à coletânea, que exige sensibilidade concentrada. Xadrez tem entre seus melhores resultados o deboche desses amores em tempo de muita mercadoria. A poeta sabe que o melhor antídoto para a poesia é a própria poesia e disso resulta um livro cuja qualidade é justamente não amenizar o sentimento amoroso. O ótimo poema Aqueles ciúmes da Playboy é uma das peças em que Ana Elisa não poupa críticas ao que poderia ser “fácil” dentro do tema do erotismo. Em Xadrez, mais uma vez a poeta mineira não joga na defensiva.
Adriane Garcia ganhou em 2013 um importante prêmio de poesia com seu livro Fábulas para adulto perder o sono. Nesse livro, a poeta brinca ironicamente com as fábulas, mas é no seu terceiro livro Só, com peixes que ela, num mergulho mais marítimo, ao modo dos escafandristas, embora ainda temático, vasculha os mundos abaixo de nós, sem esquecer a superfície. Um livro cujo feminino na sua liquidez nos faz lembrar a bela definição que o escritor americano Carl Sandburg escreveu: “A poesia é o diário de um animal marinho que vive na terra e que gostaria de voar”. Só, com peixes, em seus melhores momentos, essa máxima pode definir os caminhos que Adriane Garcia descobriu ao abrir e fechar seu livro com dois poemas que inundam de beleza essa poesia.
Saindo do círculo de Minas Gerais, Leila Guenther, nascida em Santa Catarina, é uma poeta mais vinculada à prosa. No entanto, publicou um livro cuja “delicadeza feminina” se dá justamente no equilíbrio dessa Viagem a um deserto interior, título da coletânea de seus poemas. Na ótima orelha, o poeta e crítico Alcides Villaça pergunta: “Poesia feminina? Se a arte não parece ter gênero, as experiências o têm: chegam aos poemas de nossos dias vozes marcadas por um espanto de vida a um tempo estoico e dilacerado, ressurgido de incêndios, vingando um calor histórico”. Poeta que cultiva os silêncios, tem nessa escuta os melhores momentos nos poemas mais longos, nos quais podemos ouvir melhor os seus desertos interiores. Já os haicais, que ocupam uma parte do livro e que poderiam ser o lugar desses silêncios, talvez sejam mais exercícios do que propriamente novas formas de descobrir o vazio da arte do zen.
Denise Emmer, como dissemos, é a poeta mais experimentada, com uma obra vasta e que tem nesta nova reunião Poema cenário e outros silêncios um momento, digamos, sublime, com uma poética mais ao gosto elegíaco, porém sem se prender apenas à melancolia, pois a poeta bem sabe que é preciso olhar o mundo com suas durezas, como o belo Poema cenário, dedicado ao pai. Em tempo de muita euforia e pressa, a poesia de Emmer nos propõe um recolhimento para dentro de seus poemas, cuja voz baixa e grave pode recuperar um pouco da falta de delicadeza que afeta o mundo hoje.
Enfim, são apenas sete poetas, sabemos de outras, mas 2016 está aí e, quem sabe, a poesia possa ainda nos surpreender.
  (Estado de Minas, “Caderno Pensar”, 8/1/2016)

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Na Alemanha

Meu conto "No caminho do cisne" ganha agora tradução para o alemão, na antologia Grenzenlos (Arara-Verlag), organizada por Marcelo Nocelli:


terça-feira, 24 de novembro de 2015

Objeto de estudo

Dissertação de mestrado analisa meu conto "A outra causa", recriação de "A causa secreta", de Machado de Assis: A configuração dos personagens e o papel da violência na sociedade brasileira em releituras de contos de Machado de Assis, de Gabriela de Oliveira Vieira.


sexta-feira, 20 de novembro de 2015

De escutar

Meu livro O voo noturno das galinhas comentado por Carlos Vaz Marques no programa "O Livro do Dia", da TSF Rádio Notícias, de Portugal.

domingo, 18 de outubro de 2015

Os olhos no escuro

texto de José Riço sobre meu livro de contos no suplemento "Ípsilon", do jornal português Público.



terça-feira, 6 de outubro de 2015

Os instantâneos de vidas de Leila Guenther

No Diário Digital, de Portugal, o texto de Mário Rufino sobre meu livro de contos, O voo noturno das galinhas, que ganhou este ano uma edição portuguesa.


sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Lançamento de Viagem a um Deserto Interior


Os livros do lançamento: Treme ainda (Ed. 34), de Fabio Weintraub; Viagem a um deserto interior (Ateliê), de Leila Guenther; Cálcio (Hedra) e Cidadania da bomba (Editora Patuá), de Pádua Fernandes; Caçambas (Ed. 34), de Ruy Proença; Woyzeck (Nankin), de Büchner, na tradução e comentário de Tercio Redondo

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Quando não há mais sujeito e objeto

Resenha que Renato Tardivo escreveu sobre Viagem a um Deserto Interior.


segunda-feira, 7 de setembro de 2015

O mundo das palavras de Leila Guenther

Entrevista que Fábio Lucas fez comigo para o Notícias de Pernambuco.


sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Leila Guenther fala do processo criativo de Viagem a um Deserto Interior

entrevista que dei à Ateliê Editorial a propósito do livro de poemas que escrevi.

(ilustração de Paulo Sayeg para o livro)



sábado, 22 de agosto de 2015

Viagem a um deserto interior




Meu livro de poemas, selecionado no Programa Petrobras Cultural, acaba de ser publicado pela Ateliê Editorial e conta com ilustrações de Paulo Sayeg e texto de Alcides Villaça. Mais informações, aqui.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Como se faz um paraíso


paraíso s.m. (sXIII) ant. 1. jardim de delícias onde Deus colocou Adão e Eva. 2. éden. fig3. céu. 4. lugar agradável e prazeroso. 5. uma pessoa.

Atravessando o Atlântico



Meu livro de contos em Portugal, na linda edição da Nova Delphi, com prefácio de Alexandra Lucas Coelho e foto de capa de Vitorino Coragem. Clique aqui para ver.