domingo, 26 de junho de 2016

A viagem do redescobrimento

Atacama. O nada aqui se reflete em intermináveis quilômetros de sal, pedra e areia. O céu, como descreveu Paul Bowles a respeito de um certo deserto e como imagino ser o céu de todos eles, é quase sólido, e também espelha o vazio. O deserto engole tudo, transforma tudo em sua própria imagem. Assimilou os restos de animais marinhos e os ossos dos prisioneiros políticos que as mães teimam em procurar, num minucioso trabalho arqueológico. Aqui, no lugar mais seco do mundo, nós, vivos, também nos convertemos maravilhosamente em matéria mineral. Em terra, em pó, em cinza, em nada.


sexta-feira, 17 de junho de 2016

Do deserto



(Carlos Augusto Lima, Motociclista do globo da morte. 1973 edições)

Do baralho




(Roberto Amaral, 54 [+ uma] mulheres do baralho. Vitória, Cousa, 2015)