sexta-feira, 27 de maio de 2011

Timbuktu



Escorre o sal pela ampulheta.
O cão e eu contemplamos
a paisagem
para onde iremos um dia.
Um dia sairemos desta casa
eu e o cão, que,
à minha maneira,
ficou doente.
Terrível dom o do contágio.
Recolhi-me com ele no fim do mundo
depois de ter espalhado o escuro.
Eu e o cão
que só emerge de debaixo do cobertor
quando atraído pelo espanto.
Eu e ele atravessaremos o deserto
rumo à fonte de fogo
onde outrora
do sal, do barro e do pó
se ergueu um mundo.
Para lá iremos os dois
quando a peste acabar.






(Leila Guenther)

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